“Não dá mais!”: Produtora catarinense denuncia queda no preço do leite e teme fim da atividade

Com o litro de leite pago a R$ 1,68 em janeiro, produtora do Oeste catarinense questiona a sobrevivência da produção familiar e cobra respostas para o setor.

A crise enfrentada por produtores de leite em Santa Catarina voltou ao centro das atenções após o desabafo de uma jovem produtora rural de Ipumirim, no Oeste catarinense, que relatou nas redes sociais a indignação com a nova redução no preço pago pelo litro do leite em janeiro. Em um vídeo publicado logo após a ordenha, ela afirma que o valor recebido caiu para R$ 1,68 por litro, número que, segundo seu relato, torna a rotina de trabalho cada vez mais difícil de sustentar.

A cena registrada é simples e direta: a produtora aparece ainda no ambiente da ordenha, enquanto as vacas aguardam para seguir ao pasto. O contraste entre a realidade do campo e a frustração expressa no relato evidencia um sentimento que tem se repetido em muitas propriedades: o de que o esforço diário não tem sido acompanhado por retorno financeiro suficiente.

A queda no preço do leite, segundo o desabafo, não é apenas um ajuste de mercado — é um sinal de alerta para quem depende da atividade para manter a família no campo.

No vídeo, a produtora questiona até quando o setor continuará enfrentando sucessivas reduções no preço, mesmo diante de uma atividade que exige dedicação constante. Ela destaca que a bovinocultura leiteira é uma das rotinas mais intensas dentro da produção rural, pois não há interrupção: a ordenha ocorre diariamente e não pode ser adiada.

A indignação aparece quando ela reforça que, apesar de não existir folga real na lida, o pagamento pelo produto segue caindo.

Até quando vamos continuar sendo castigados por levantar todos os dias, dia após dia”, diz a produtora, ao relatar a rotina da atividade.

O tom do vídeo é de alerta, mas também de exaustão. A fala expõe um ponto central para milhares de famílias: produzir leite exige disciplina, investimento e mão de obra constante, mas o valor pago na ponta nem sempre acompanha o tamanho do esforço exigido.

Além do impacto direto do preço, outro trecho do desabafo chamou atenção pela crítica a uma resposta considerada repetitiva por muitos produtores: a ideia de que “basta gestão” para superar a crise.

A produtora reconhece que administração e controle de custos são fundamentais, mas questiona a realidade de quem enfrenta uma sequência de quedas no valor recebido, sem previsibilidade.

A propriedade tem que ter uma boa gestão, sim, mas quando alguém estava preparado para tantas baixas?”, afirma.

A cobrança se transforma em um questionamento prático: se o produtor faz planejamento, investe em alimentação, sanidade, estrutura e mão de obra — e ainda assim o preço cai —, qual é o caminho possível para manter a atividade de pé?

Nesse ponto, o vídeo reforça um sentimento crescente nas pequenas propriedades: a conta está ficando difícil de fechar, e o risco é que o produtor chegue ao limite.

Em um dos trechos mais fortes do relato, a jovem fala abertamente sobre a possibilidade de produtores serem forçados a interromper a atividade por falta de viabilidade econômica. O alerta vem acompanhado de uma reflexão que ecoa no setor:

Se todo mundo parar, o que vai acontecer?”, questiona.

A frase resume o temor de um cenário que já preocupa técnicos e produtores: quando a atividade deixa de ser sustentável para a agricultura familiar, o resultado não é apenas um prejuízo individual — é um impacto em toda a cadeia.

Isso porque o leite movimenta uma rede ampla que inclui transporte, indústria, comércio local, cooperativas, assistência técnica, mão de obra, serviços veterinários e fornecedores de insumos. Quando o produtor reduz o rebanho ou sai da atividade, a consequência pode ser:

• Menos volume produzido na região
• Redução da renda em comunidades rurais
• Desestruturação de pequenas propriedades familiares
• Dificuldade de sucessão no campo
• Perda de produtores e de capacidade produtiva no Estado

O desabafo da produtora também se conecta a uma realidade importante: Santa Catarina tem forte presença de pequenas propriedades leiteiras, onde a produção é, em muitos casos, o principal sustento da família. Isso torna o impacto das quedas de preço ainda mais severo, principalmente quando os custos não reduzem na mesma proporção.

Após a publicação, o vídeo repercutiu entre agricultores e moradores do Oeste catarinense, com relatos de que a situação apresentada não é isolada. A identificação com a fala reforça a percepção de que o tema é coletivo e que há um sentimento de impotência diante do cenário.

O conteúdo, além de expressar indignação, também funciona como um pedido por alternativas e respostas. Em vez de apenas criticar, a produtora dá voz a uma preocupação prática: como continuar produzindo quando o preço recebido não acompanha o esforço e o custo da atividade?

Outro ponto central no vídeo é a cobrança por apoio do poder público. A produtora afirma que o setor precisa de atenção e que o discurso comum não tem sido suficiente para responder ao problema real vivido no campo.

Até o momento, não houve posicionamento oficial de órgãos governamentais sobre o caso específico. Ainda assim, o vídeo reacende uma discussão que costuma ganhar força em períodos de baixa no preço: qual é o papel das políticas públicas e das estratégias setoriais para proteger a base produtiva do leite, especialmente a agricultura familiar?

Em muitas regiões, a sobrevivência da atividade depende de uma combinação entre mercado, organização da cadeia e medidas que garantam previsibilidade mínima ao produtor.

O relato da produtora de Ipumirim se tornou um retrato de um problema maior: o desgaste emocional e financeiro de quem vive da bovinocultura leiteira em um cenário de instabilidade.

A fala gravada após a ordenha, simples e espontânea, escancara o peso de um sistema em que o produtor trabalha todos os dias, mas sente que sua remuneração diminui mês após mês.

O desabafo não é apenas uma reclamação: é um alerta sobre o risco de abandono da atividade, com impacto direto na produção de alimentos, na renda rural e na permanência das famílias no campo.

Enquanto isso, a crise no preço do leite segue sendo motivo de preocupação em Santa Catarina, com produtores aguardando respostas, medidas e alternativas que garantam condições reais de continuidade para quem mantém a atividade funcionando na base do esforço diário.

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