Criatório de Brasília, Nelore Cascão, mostra como gestão financeira e controle de recebíveis são decisivos para transformar boas vendas em resultados concretos no competitivo mercado de leilões de gado PO
O avanço da pecuária de elite no Brasil tem aberto espaço para novos criatórios que unem tradição familiar, visão empresarial e profissionalização da gestão. É nesse contexto que surge o Nelore Cascão, sediado em Brasília, um projeto recente, mas já estruturado para atuar na seleção de Nelore PO (Puro de Origem) e disputar espaço no exigente mercado de genética bovina.
Mais do que produzir animais de alto padrão, o criatório nasce com uma mentalidade clara: tratar a pecuária como um negócio. E isso passa diretamente pela forma como se vende — e, principalmente, pela capacidade de transformar vendas em recebimento efetivo.
À frente do projeto está Luis Eduardo Cascão, que carrega uma motivação que mistura legado familiar e estratégia empresarial. Segundo ele, o início do criatório tem uma base emocional, ligada à memória do avô, Elson Cascão, pecuarista apaixonado que atuou por décadas no setor. “A motivação se inicia por um motivo emocional e se mantém por motivos racionais”, afirma. Com o falecimento do avô em 2024, o interesse pela pecuária se intensificou até se transformar em projeto concreto, iniciado em junho de 2025.

A partir daí, o criatório passou a ser conduzido com visão de longo prazo e foco em rentabilidade. “Entendo que, ao tratar a criação de Nelore PO como negócio, existe uma boa oportunidade de retorno financeiro. O negócio é bom e lucrativo, desde que seja tratado como tal”, explica.
Esse posicionamento se mostra ainda mais relevante diante do ambiente em que o Nelore Cascão está inserido. O mercado de leilões de gado PO no Brasil movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano e se consolida como uma das principais vitrines de comercialização de genética bovina. Apesar do volume expressivo, trata-se de um mercado que exige preparo, especialmente na gestão financeira. 
Ao iniciar as vendas em leilões, o criatório se deparou com um dos principais pontos de atenção do setor: a diferença entre vender bem e, de fato, receber. Isso porque o modelo de comercialização é baseado em vendas parceladas, muitas vezes em até 30 vezes, e com compradores que não são conhecidos previamente. “Você não sabe quem vai comprar seu animal. A análise de crédito e o histórico do cliente ficam a cargo da leiloeira”, explica Luis Eduardo.
Nesse contexto, o risco deixa de estar na venda e passa a se concentrar na etapa seguinte, que é a gestão dos recebíveis. Foi nesse momento que surgiu um dos principais desafios do início da operação: o fluxo de caixa. Segundo o criador, há um descasamento natural entre despesas e receitas. “Você tem muitos custos antes de começar a receber. E grande parte desses custos é à vista, como taxas de leiloeira, comissões e despesas operacionais do dia a dia”, relata. 
Essa dinâmica exige um controle extremamente preciso das finanças, especialmente das contas a pagar e a receber. Sem esse controle, o risco de perda de liquidez aumenta, mesmo em cenários de boas vendas. Ao mesmo tempo, outro desafio se impõe: a complexidade operacional da cobrança. A própria rotina da pecuária já é exigente, e assumir a responsabilidade pela gestão de recebíveis pode comprometer o foco do criador.
Luis Eduardo destaca que a cobrança no setor pecuário tem particularidades que dificultam ainda mais esse processo. Existem diferentes modalidades de venda — como prenhez, aspiração ou animais em sociedade — e cada uma delas possui regras específicas para início da cobrança. Além disso, um único leilão pode envolver dezenas de compradores, o que torna a gestão manual pouco eficiente e suscetível a erros. 
Diante desse cenário, o Nelore Cascão optou desde o início por profissionalizar essa etapa, contratando a R2A Cobrança Pecuária. A decisão segue uma tendência crescente no setor, conforme já apontado por análises do mercado, que indicam a gestão de recebíveis como um dos pilares mais importantes dentro da cadeia de leilões de gado PO.
A escolha pela R2A foi baseada, principalmente, na especialização da empresa no setor pecuário, na tecnologia aplicada e na qualidade do atendimento. “O processo de cobrança já é complexo por si só. Quando falamos de pecuária, existem ainda mais variáveis. Por isso, a especialização faz toda a diferença”, explica. Ele também destaca o uso de tecnologia como um diferencial importante, permitindo acompanhar todas as informações financeiras em tempo real. Além disso, o envolvimento direto da equipe da empresa traz mais segurança no relacionamento com os clientes.
Com a implementação dessa gestão profissional, o impacto na operação foi imediato. O criatório ganhou mais controle sobre o fluxo de caixa, reduziu riscos de inadimplência e conseguiu direcionar esforços para áreas estratégicas, como melhoramento genético e posicionamento de mercado. “Eles foram essenciais para tirar uma preocupação a mais do meu negócio, me permitindo focar no que realmente importa”, afirma.

Outro ponto importante é que a organização financeira passou a influenciar diretamente a estratégia do negócio. Com maior previsibilidade de receitas, o criatório consegue planejar melhor seus investimentos e atuar com mais segurança nos leilões. “Fluxo de caixa é a chave para o nosso negócio. Tudo é feito a prazo, então ter segurança nesse processo é fundamental para a sustentabilidade da operação”, destaca.
Além dos impactos internos, a profissionalização também se reflete na forma como o mercado enxerga o criatório. Segundo Luis Eduardo, uma gestão eficiente transmite credibilidade e fortalece o relacionamento com os compradores. “Quando alguém compra um animal, não está levando só aquele indivíduo, mas toda a experiência de pós-venda. E a cobrança faz parte disso. Se não for bem feita, pode gerar desgaste”, pontua.
Para quem pretende ingressar no mercado de Nelore PO, o recado é direto: a gestão de recebíveis não deve ser tratada como um detalhe. “É uma função complexa, que exige especialização. Se contratamos profissionais para reprodução e genética, faz todo sentido contratar especialistas para cuidar do financeiro também”, afirma. Ele reforça ainda que a terceirização tende a reduzir atrasos e inadimplência, aumentando a eficiência do negócio.
O caso do Nelore Cascão evidencia uma transformação importante na pecuária de elite brasileira. Em um mercado bilionário e cada vez mais competitivo, não basta produzir animais de qualidade. A sustentabilidade do negócio depende, cada vez mais, da capacidade de gerir riscos, estruturar processos e garantir que o resultado das vendas se converta, de fato, em receita.
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