Reservatórios iniciam 2026 em condição estável após recuperação parcial; São Paulo ainda depende de novas chuvas para garantir segurança hídrica até 2027.
Os reservatórios do Sudeste brasileiro entraram em 2026 em condição estável após a recuperação registrada ao longo do último ciclo úmido. Porém, o cenário ainda exige atenção, especialmente em São Paulo, onde parte dos sistemas segue dependente de novos volumes de chuva para garantir segurança hídrica até 2027. A avaliação é da Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, que projeta a manutenção da irregularidade das precipitações ao longo deste ano.
A última temporada de chuvas no Brasil, entre a primavera de 2025 e o verão de 2025/26, foi marcada por forte irregularidade e recuperação desigual dos reservatórios. Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus, diz que o regime de precipitações apresentou dois momentos distintos.
“Na primavera de 2025, choveu bastante no Sul, enquanto no Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste registraram volumes abaixo da média, o que trouxe sinal de alerta sobre os mananciais. Já ao longo do verão de 2025/26, houve uma recuperação importante, com chuvas concentradas no centro-norte do país”, analisa.
Essa recomposição foi suficiente para melhorar o nível da maior parte dos reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste, colocando o sistema em uma condição considerada confortável para atravessar o período seco de 2026. Em Minas Gerais, por exemplo, os níveis são classificados como bastante satisfatórios.
Por outro lado, em São Paulo, apesar de não haver risco imediato de desabastecimento, o cenário atual ainda inspira cautela. “Sistemas como o Cantareira não devem enfrentar problemas no curto prazo. Por outro lado, não chegaram a criar uma ‘gordura’. Isso significa que ainda dependeremos de chuvas no final de 2026 e no início de 2027 para garantir um abastecimento seguro”, explica Nascimento.
No Nordeste, o comportamento foi distinto. Após um início de temporada mais fraco, as chuvas se intensificaram e levaram a uma recuperação expressiva dos reservatórios. “Na região, a chuva começou mal, mas agora segue bem, com até alguns açudes ‘sangrando’ (termo regional) de tão cheios”, diz o meteorologista. Esse panorama indica maior segurança hídrica para atravessar 2026 e reduz a pressão sobre o abastecimento em 2027, desde que as condições climáticas se mantenham dentro da normalidade.
Para a Nottus, esse padrão reforça a tendência de maior variabilidade climática, com períodos de estiagem intercalados por eventos intensos de chuva, o que dificulta uma recuperação linear dos reservatórios e aumenta a complexidade da gestão hídrica no país.
Fonte: Nottus
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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