Após frio fora de época, o Brasil volta a registrar nova onda calor a partir do fim de semana, com risco de máximas de 40 °C no Sul e no Centro-Oeste e impacto direto em áreas agrícolas que já enfrentam restrição hídrica.
Depois de uma sequência de dias com frio surpreendente em pleno verão, uma nova onda de calor já tem data para começar e deve elevar rapidamente as temperaturas em várias regiões do país. O destaque da previsão do tempo do alerta está no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, onde os termômetros podem encostar nos 40 °C, justamente em um momento delicado para lavouras que já sofrem com escassez de chuva e estresse hídrico.
De acordo com os meteorologistas do Climatempo e Arthur Müller (Canal Rural), a elevação das temperaturas ocorre em um período crítico para áreas produtoras de arroz, milho primeira safra e soja, culturas que dependem de regularidade de umidade no solo para manter produtividade e desenvolvimento adequado nesta fase do ciclo.
Quando começa a onda de calor?
A previsão indica que a onda de calor começa no domingo (25), atingindo a Região Sul de forma mais intensa. No entanto, em pontos do Rio Grande do Sul, o calor pode começar a se intensificar antes disso, com elevação a partir de sexta-feira (23) em algumas cidades.
O cenário mais extremo está concentrado no Rio Grande do Sul, com maior atenção para o centro-sul do estado — uma área que já apresenta relatos de restrição hídrica em lavouras, tornando o avanço do calor ainda mais preocupante. Segundo Müller, além do território gaúcho, Santa Catarina e Paraná também entram no mapa do calor, com previsão de máximas na casa dos 35 °C. Ainda assim, os maiores picos devem se concentrar no sul e sudoeste do Rio Grande do Sul, região onde os termômetros podem alcançar os 40 °C.
Exemplo de município com previsão crítica
Em Alegrete (RS), a tendência é de máximas próximas de 40 °C ao longo da próxima semana, reforçando que o calor deve persistir por vários dias e não apenas em um episódio isolado.
Chuva só volta quando?
O retorno mais consistente das chuvas para a Região Sul deve ocorrer apenas na primeira semana de fevereiro, e ainda dentro de um padrão típico do verão: pancadas isoladas em alguns momentos. A previsão citada pelo meteorologista indica que a chuva começa a voltar entre quinta-feira (5) e sexta-feira (6), com volumes que podem atingir até 60 milímetros em cinco dias, dependendo da localidade.
Ou seja: até lá, o Sul pode enfrentar um período de calor forte + pouca chuva, combinação que costuma aumentar riscos como:
• perda de umidade do solo
• estresse térmico em lavouras e animais
• aumento da evaporação em reservatórios e açudes
• maior chance de incêndios em vegetação seca
O que deve encerrar essa onda de calor?
Apesar do avanço do calor no fim de janeiro, a tendência é que o episódio não dure indefinidamente. A previsão aponta que um ciclone extratropical deve chegar na virada do mês, provocando queda nas temperaturas e ajudando a trazer a chuva de volta para o Sul. Embora o Sul esteja no centro do alerta por causa das máximas extremas, o calor também se espalha pelo país, com impactos diferentes em cada área.
Sudeste: ZCAS perde força, mas risco continua em pontos específicos
No Sudeste, a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) começa a perder intensidade. Com isso, a chuva diminui no Espírito Santo, mas segue em Minas Gerais e ainda pode ganhar força no Rio de Janeiro, mantendo atenção para alagamentos e deslizamentos.
O litoral norte de São Paulo também continua em estado de alerta.
Centro-Oeste: calor persiste e pode bater 40 °C
No Centro-Oeste, o calor segue firme, com destaque para Mato Grosso do Sul e a região de Corumbá, onde as temperaturas podem voltar a encostar nos 40 °C nos próximos dias.
Matopiba: chuva mais concentrada em MA e TO
No Matopiba, a chuva permanece mais concentrada principalmente em Maranhão e Tocantins, segundo a análise meteorológica citada no boletim. Uma notícia mais positiva vem do interior do Nordeste: a previsão indica a chegada de chuva, ajudando a aliviar o cenário de tempo muito seco e muito quente na região.
E São Paulo? Quando volta a esquentar na capital?
Na capital paulista, o frio também marcou presença nos últimos dias, com uma massa de ar frio entre 19 e 23 de janeiro, derrubando as temperaturas em pleno verão. A menor mínima registrada na semana foi de 15,7 °C na estação do Mirante de Santana (Inmet), um número incomum para o período.
A virada no tempo começa no sábado (24), quando as temperaturas sobem gradualmente e as máximas já ficam próximas de 27 °C, com chance de pancadas isoladas. No domingo (25), a sensação de calor aumenta e a máxima pode chegar a 28 °C, mas com risco de pancadas de chuva, principalmente nas zonas norte e leste.
No interior paulista, o calor aparece de forma ainda mais intensa: no domingo, cidades como Ribeirão Preto, Barretos e Araçatuba podem alcançar máximas perto de 32 °C.
Por que essa onda de calor preocupa o agro?
O avanço de uma onda de calor no Sul em pleno ciclo de grandes culturas chama atenção não apenas pelos números no termômetro, mas pelos efeitos em cadeia. No Rio Grande do Sul, onde o alerta é maior, as temperaturas sobem justamente quando lavouras já estão com restrição hídrica, e o cenário pode se agravar até que a chuva volte de forma mais consistente. Além disso, o calor forte por vários dias pode gerar:
• queda no ritmo de enchimento de grãos (em algumas lavouras)
• maior pressão sobre irrigação (onde existe estrutura disponível)
• impacto direto no manejo de animais em sistemas a pasto e confinamentos
• risco maior de perdas em áreas mais sensíveis ao estresse térmico
Resumo rápido: o que mostra a previsão do tempo para próximos dias
• Onda de calor começa no domingo (25), com destaque para o Sul
• Rio Grande do Sul pode chegar a 40 °C, principalmente no sul e sudoeste
• Paraná e Santa Catarina podem ter máximas de 35 °C
• Chuva mais ampla só volta na primeira semana de fevereiro, com chance de acumulados relevantes
• Ciclone extratropical na virada do mês pode encerrar o calor extremo no Sul
• Centro-Oeste também pode bater 40 °C, incluindo Corumbá (MS)
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