Produzida no Brasil e parte de um investimento bilionário, a nova picape Tukan promete eletrificação, maior capacidade de carga e reposicionamento da marca em um dos segmentos mais competitivos do mercado
Após quase uma década de expectativas, a Volkswagen finalmente confirmou que picape Tukan será o nome de sua inédita “picape intermediária”, modelo que chega com a missão clara de disputar mercado diretamente com Fiat Toro e Chevrolet Montana. A caminhonete será produzida na fábrica de São José dos Pinhais (PR), mesma unidade responsável pelo T-Cross e pelo sedã Virtus, reforçando o protagonismo do Brasil na estratégia global da montadora.
A confirmação encerra um longo ciclo iniciado em 2018, quando o conceito Tarok foi apresentado ao público. Agora, a Tukan surge como peça central da ofensiva de R$ 16 bilhões que a Volkswagen planeja investir no país até 2028, ocupando o espaço entre a compacta Saveiro e a média Amarok — uma lacuna histórica no portfólio da fabricante.
Identidade brasileira e desenvolvimento local
O anúncio oficial ocorreu durante uma apresentação ligada ao patrocínio das Seleções Brasileiras de futebol até 2027. Na ocasião, a marca revelou uma imagem do modelo em tom Amarelo Canário, cor escolhida para reforçar a identidade nacional do projeto — desenvolvido 100% no Brasil — e criar conexão com a fauna local, assim como o nome inspirado no tucano.
Mais do que um novo produto, o movimento mostra a crescente autonomia da engenharia brasileira dentro da Volkswagen, especialmente em projetos voltados à América Latina.

Picape Tukan: Motorização híbrida e foco em eficiência
Embora a ficha técnica completa ainda não tenha sido divulgada, os indícios apontam para uma estratégia tecnológica mais avançada. Para competir com a Toro — que domina o segmento com versões flex e diesel — a Tukan pode estrear o novo motor 1.5 TSI Evo2, evolução do antigo 1.4 turbo.
A expectativa é que o conjunto mantenha cerca de 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque, mas com apoio de um sistema híbrido leve de 48V (MHEV), capaz de melhorar consumo e reduzir emissões. Ainda assim, a continuidade do motor 1.4 TSI não está descartada.
Essa possível eletrificação posiciona a picape dentro de uma tendência clara da indústria automotiva: utilitários cada vez mais eficientes, sem abrir mão de desempenho.

Robustez acima do conforto?
Outro ponto que chama atenção é a suspensão traseira. Diferente da Toro, que utiliza arranjo multilink voltado ao conforto, a Tukan pode adotar eixo rígido com feixe de molas, solução tradicionalmente associada à maior resistência estrutural.
A escolha sugere uma estratégia para entregar capacidade de carga superior a 700 kg, aproximando o modelo de um perfil mais utilitário — característica valorizada tanto por consumidores urbanos quanto por quem utiliza a picape no trabalho.

Posicionamento estratégico no segmento
A chegada da Tukan reposiciona a Volkswagen em um nicho criado pela Renault Duster Oroch e posteriormente dominado pela Fiat Toro. Hoje, as picapes monobloco — sem chassi separado — atraem consumidores que buscam dirigibilidade semelhante à de SUVs aliada à versatilidade da caçamba.
Mesmo chegando depois das rivais, a Volkswagen terá a vantagem de ter observado o mercado. Enquanto a Montana aposta no menor porte e na eficiência do motor 1.2 turbo, a Toro mantém liderança pela diversidade de versões e motores. A Tukan deve se posicionar exatamente entre as duas em dimensões e preço, ampliando o leque de opções ao consumidor.
Construída sobre uma variação alongada da plataforma MQB A0 — base de Polo e T-Cross — a picape promete oferecer espaço interno próximo ao do Virtus combinado a uma caçamba generosa.
Picape Tukan: Um projeto que quase ficou pelo caminho
O trajeto até a versão definitiva foi marcado por interrupções. O Tarok Concept chegou a prometer soluções inovadoras, como uma caçamba variável integrada à cabine, mas o projeto acabou congelado durante a pandemia antes de ser retomado como parte da estratégia global da marca para a América Latina.
Esse histórico ajuda a explicar por que a picape carrega tanta expectativa — tanto do mercado quanto da própria fabricante.
O que esperar até 2027
A Tukan deve marcar uma nova fase para a Volkswagen no Brasil, não apenas pelo produto em si, mas pela mudança de posicionamento em um dos segmentos mais rentáveis da indústria.
Principais apostas do modelo:
- Produção nacional com forte engenharia local
- Possível motorização híbrida leve
- Maior capacidade de carga
- Espaço interno ampliado
- Posicionamento estratégico entre compactas e médias
Se cumprir o que promete, a nova picape poderá redefinir a presença da marca no país — e aumentar ainda mais a disputa em um mercado que se tornou prioridade para as montadoras.
Mais do que uma rival da Toro, a Tukan representa uma tentativa clara da Volkswagen de recuperar protagonismo no segmento de utilitários, apostando em tecnologia, eficiência e adaptação ao consumidor brasileiro.
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