Pesquisa financiada pela Funcap com gestão da Fundepag utiliza biopolímeros para substituir plásticos e reduzir o uso de aditivos sintéticos na agricultura.
Novas abordagens para prolongar a qualidade dos alimentos vêm despertando atenção ao propor mudanças concretas nos métodos tradicionais de conservação. O Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec) está desenvolvendo o Projeto de Revestimentos Comestíveis e Filmes Biodegradáveis com o objetivo de aumentar a vida útil de produtos agrícolas de forma sustentável. A iniciativa recebe financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e conta com a parceria da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) na gestão do projeto. O investimento da pesquisa é de pouco mais de R$ 500 mil. O foco central do trabalho é a criação de barreiras para a conservação de alimentos que permitam a redução do uso de plásticos convencionais e de aditivos sintéticos no período pós-colheita.
“O estudo concentra esforços na criação de coberturas naturais e materiais sustentáveis voltados à preservação de alimentos. Em um cenário global que demanda urgentemente soluções para o desperdício de alimentos e a redução de resíduos plásticos, esse projeto desenvolvido pelo Nutec posiciona não apenas o estado do Ceará, mas o Brasil na vanguarda da pesquisa em embalagens ativas e inteligentes”, explica a coordenadora bolsista do projeto, Crisiana Nobre.

A tecnologia consiste na formulação de películas de baixa espessura compostas por biopolímeros e substâncias naturais. Essas estruturas funcionam como barreiras seletivas a gases e à umidade, atuando no controle da taxa respiratória dos alimentos. A composição pode receber o acréscimo de agentes antioxidantes ou antimicrobianos naturais para manter a qualidade nutricional e sensorial dos produtos. A abordagem do projeto une áreas como ciência dos alimentos, química, biotecnologia e educação para gerar resultados com menor impacto ambiental.
“A tecnologia em estudo substitui ou reduz a necessidade de aditivos sintéticos e embalagens plásticas convencionais na conservação pós-colheita. O resultado é uma extensão do período de conservação, mantendo a qualidade, com um impacto ambiental significativamente menor”, complementa a também pesquisadora bolsista do projeto, Carlota Souza.
A aplicação da pesquisa no estado do Ceará busca mitigar perdas na produção provocadas pelas condições de logística e de clima do semiárido. O projeto promove a segurança econômica para produtores e a segurança alimentar para a população, alinhando-se a políticas de agroecologia, bioeconomia e inovação no agronegócio. No âmbito internacional, a proposta atende às diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU) para a redução do desperdício e aos princípios da economia circular, que visam a substituição do modelo de extração e descarte. 
Pilar da extensão: formando a próxima geração de cientistas
O projeto também mantém um pilar de extensão e divulgação científica direcionado a estudantes do ensino médio da rede pública municipal do Ceará. Por meio de palestras e atividades interativas, uma equipe apresenta a aplicação do método científico na resolução de problemas da comunidade ligados à produção de alimentos. Essa ação busca o despertar de vocações para carreiras em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, conectando a pesquisa laboratorial ao desenvolvimento socioeconômico e ao futuro da produção científica.
“A iniciativa representa um investimento estratégico no futuro dos alimentos, por meio de embalagens mais inteligentes e ecológicas; no futuro dos agricultores, com ferramentas para reduzir perdas; e no futuro da própria ciência, ao semear o interesse pela pesquisa nas salas de aula das escolas públicas”, destaca Gabriel Aguiar Mendes, que faz parte da gerência de Negócios do Nutec.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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