O agro não é o vilão ambiental

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Foto: © Adriano Gambarini / WWF

Revista divulga estudo que vinculou a emissão de gases do efeito estufa às cidades superpopulosas, sendo a maioria da China (cidades estas, que necessitam da produção agropecuária brasileira)

Por Rafael Gratão* – O agronegócio sul-mato-grossense é amparado por muita ciência. Tanto a agricultura como a pecuária têm por característica o avanço, com base no que entidades de pesquisa apresentam e ao que a legislação dita. As atuais técnicas empregadas por produtores rurais, são atuais, benéficas ao meio ambiente e ancorados no que apresentam as universidades e entidades de pesquisa, como a Embrapa Gado de Corte, Fundação MS e Fundação Chapadão. Comparar as consequências das atividades rurais, com as cidades, além de desafiante, chega ser desonesto se citarmos emissões de gases e outros costumes urbanos.

Considerando o estudo divulgado neste mês de julho pela revista científica da Suiça: Frontiers in Sustainable Cities, podemos constatar que 25 municípios do mundo respondem por 52% dos gases de efeito estufa, ligados ao aquecimento global. Essa é uma das informações que nos dão base para afirmar que, diferente do que costumam apontar, o agro não é o vilão, uma vez que além de produzir alimento, ainda preserva a vegetação nativa.

Para termos uma ideia, da área total de Mato Grosso do Sul mais de 1/3 é de florestas nativas, e se considerarmos as pastagens nativas presentes nos cenários como o Pantanal, os números de preservação são ainda maiores. A Embrapa Territorial, por meio do pesquisador Evaristo de Miranda, todos os anos, todos os meses, faz divulgações apresentando que mais de 60% do território brasileiro é de vegetação nativa. Recentemente nos trouxe a informação de que um quarto do território nacional (26,7%) está dedicado a preservar a vegetação nativa, no interior dos imóveis rurais, isso esclarece que quem mais preserva as florestas e a biodiversidade é o produtor rural.

Sobre o estudo publicado na revista Suiça, que se debruçou sobre 167 municípios de 53 países, o diagnóstico vinculou a emissão de gases do efeito estufa às cidades superpopulosas, sendo a maioria da China (cidades estas, que necessitam da produção agropecuária brasileira).

É no mínimo interessante imaginar um estudo desta proporção aplicado às capitais brasileiras. E se forem além das emissões de gases e se dedicarem a comparar as práticas sustentáveis do homem do campo com o urbano, avaliarem a qualidade dos rios nos perímetros das cidades e até ações básicas, como o descarte do lixo, aposto facilmente em um desempenho favorável ao rural, onde a prática a favor do meio ambiente é rotina, por aqueles que reconhecem o valor da biodiversidade e da terra.

Por Rafael Gratão, produtor rural no Pantanal e presidente do MNP – Movimento Nacional dos Produtores

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