Animal que deu origem ao burro doméstico, o asno-selvagem-africano, vive hoje restrito aos desertos africanos e está classificado como criticamente ameaçado de extinção.
Pouco conhecido do grande público, o asno-selvagem-africano é um dos animais mais raros e ameaçados do planeta. Cientificamente chamado de Equus africanus, ele ocupa um lugar fundamental na história da domesticação dos equídeos, sendo reconhecido como o ancestral direto do asno doméstico (Equus asinus). Hoje, no entanto, sua sobrevivência na natureza está por um fio, tornando-se símbolo de resistência em ambientes extremos e também de alerta para a conservação da biodiversidade.
Estudos e levantamentos internacionais indicam que restam apenas algumas centenas de indivíduos em vida livre, concentrados em regiões isoladas do nordeste da África. A espécie figura oficialmente na categoria de Criticamente Ameaçada de Extinção, o nível mais alto antes do desaparecimento total na natureza.
O asno-selvagem-africano apresenta porte pequeno a médio, com medidas que refletem sua adaptação aos ambientes áridos. Os adultos podem atingir até 2 metros de comprimento, com altura entre 1,25 e 1,45 metro na cernelha, além de peso médio que varia de 230 a 275 quilos. Sua cauda mede entre 30 e 50 centímetros, terminando em um característico tufo preto.
A pelagem curta e lisa, geralmente em tom cinza-claro ou cinza-pálido, ajuda a refletir o calor intenso do deserto. As orelhas grandes, com margens escuras, não são apenas uma marca visual da espécie, mas também uma importante adaptação fisiológica, auxiliando na dissipação do calor corporal. Os cascos estreitos e duros permitem que o animal se desloque com segurança por terrenos rochosos, arenosos e extremamente irregulares.

Entre as subespécies reconhecidas, destaca-se o asno-selvagem-da-somália (Equus africanus somaliensis), facilmente identificado pelas listras horizontais negras nas pernas, lembrando discretamente o padrão das zebras. Já o asno-da-núbia (Equus africanus africanus), historicamente descrito, é considerado extinto ou extremamente raro.
Adaptado a um dos climas mais hostis do planeta, o asno-selvagem-africano é conhecido por sua extraordinária resistência física. Possui equilíbrio notável, sendo capaz de atravessar trilhas estreitas, encostas íngremes e áreas pedregosas com agilidade, mesmo sob calor intenso.
A longevidade também chama atenção: em condições controladas de cativeiro, o animal pode viver até 30 anos, o que reforça seu potencial reprodutivo caso os programas de conservação consigam estabilizar a população.
Historicamente, a espécie ocupava uma área muito mais ampla do norte da África, alcançando regiões do Egito, Sudão e Líbia. Atualmente, sua presença está restrita a zonas áridas e semiáridas da Eritreia, Etiópia e Somália, em desertos e planícies quase sem vegetação.

A dieta do asno-selvagem-africano é composta por gramíneas resistentes, folhas secas, cascas de árvores e arbustos lenhosos. Trata-se de um herbívoro generalista, com sistema digestivo altamente eficiente, capaz de extrair nutrientes e umidade de alimentos extremamente pobres.
A relação com a água é um dos aspectos mais impressionantes da espécie. Embora dependa dela, o animal pode passar dias sem beber diretamente, obtendo umidade dos alimentos ou cavando o solo para acessar fontes subterrâneas. Quando necessário, é capaz de beber água salobra ou levemente salgada, algo incomum entre mamíferos terrestres.
Apesar de sua resistência natural, o asno-selvagem-africano enfrenta ameaças que vão além do clima extremo. O principal fator de declínio populacional é a miscigenação com burros domésticos, que compromete a pureza genética da espécie e dificulta sua preservação a longo prazo.
Além disso, em algumas regiões, o animal ainda sofre com a caça ilegal, motivada pelo uso de ossos e partes do corpo em práticas de medicina não tradicional, sem qualquer comprovação científica. A pressão humana sobre áreas áridas, somada à instabilidade política em partes do seu território, dificulta ações de fiscalização e proteção contínuas.

Diante do cenário crítico, programas internacionais de conservação têm sido implementados, especialmente por meio de reprodução em cativeiro em zoológicos e centros especializados. O objetivo é manter populações geneticamente viáveis, preservar o material genético da espécie e, no longo prazo, possibilitar reintroduções controladas na natureza.
Especialistas alertam, no entanto, que a sobrevivência do asno-selvagem-africano depende de ações integradas, que envolvam proteção de habitat, controle da miscigenação, cooperação internacional e conscientização das comunidades locais.
Mais do que um parente distante do burro doméstico, o asno-selvagem-africano é um elo vivo da história evolutiva dos equídeos — e sua possível extinção representaria uma perda irreparável para a fauna mundial.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.