Entenda como a seleção genética inadequada compromete a rentabilidade no semiárido e saiba como identificar as raças de Zebu para o Nordeste que garantem rusticidade e maior conversão alimentar
A pecuária no semiárido brasileiro exige mais do que apenas investimento; exige estratégia genética. Um dos maiores entraves para a lucratividade na região é a escolha equivocada do Zebu para o Nordeste. Muitos produtores, influenciados pelo sucesso de certas raças em outras regiões do país, acabam replicando modelos que não se adaptam ao estresse térmico e à escassez forrageira típica do bioma Caatinga.
O Zebu para o Nordeste ideal
O erro mais frequente reside na “padronização” racial. O Nelore, embora seja o pilar da pecuária nacional, pode não ser a opção mais eficiente em áreas de seca extrema se não houver um suporte nutricional rigoroso. Segundo dados da Embrapa Semiárido, a eficiência produtiva está diretamente ligada à capacidade de termorregulação e ao aproveitamento de fibras de baixa qualidade.
Ao escolher o Zebu para o Nordeste, o produtor deve observar o histórico da raça. Enquanto o Nelore domina áreas de transição e pastagens mais fartas, raças como o Sindi e o Guzerá apresentam uma morfologia que favorece a sobrevivência e a produção de leite e carne em condições de escassez hídrica. O “erro comum” é priorizar a estética ou o valor de mercado de reposição imediato, ignorando a taxa de desmame e o intervalo entre partos em ambiente hostil.
Alternativas de Zebu para o Nordeste semiárido
A ciência rurícola aponta que o Sindi tem se destacado como um dos tipos mais resilientes de Zebu para o Nordeste. Por ser um animal de porte médio, sua exigência de manutenção é menor. Estudos indicam que, em períodos de seca prolongada, o Sindi consegue manter sua condição corporal melhor do que raças de grande porte, que sofrem com o catabolismo muscular acelerado sob calor intenso.
Já o Guzerá surge como a opção de dupla aptidão por excelência. Sua rusticidade é lendária: é capaz de passar longos períodos com dietas restritivas à base de cactáceas (como a palma forrageira) sem comprometer a sanidade. O erro do produtor está em não realizar o zoneamento bioclimático da sua propriedade antes de adquirir o plantel, resultando em animais que “sentem” o clima e apresentam baixa conversão alimentar.
Como evitar o erro na escolha do Zebu para o Nordeste
Para maximizar os resultados, o pecuarista deve focar em Dados de Avaliação Genética (DEPs) voltados para a adaptabilidade. Não basta ser Zebu; é preciso ser funcional.
- Avalie o microclima: O Agreste demanda um perfil diferente do Sertão profundo.
- FOCO em Eficiência Alimentar: Empregue raças que convertem vegetação nativa em arrobas de forma eficiente.
- Suporte Técnico: Utilize os programas de melhoramento da ABCZ (PMGZ) para selecionar linhagens que já foram provadas em ambiente de altas temperaturas.
A escolha acertada do Zebu para o Nordeste é, em última análise, a diferença entre a sustentabilidade do negócio e o prejuízo acumulado na entressafra.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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