A combinação de solos compactados e a escolha de cultivares inadequadas compromete a produtividade no RS; especialistas apontam o uso de materiais híbridos e a fosfatagem como soluções para evitar o erro comum que faz o produtor gaúcho perder pasto no verão
No cenário da pecuária sul-riograndense, a transição entre as estações impõe um desafio logístico e biológico severo. O erro comum que faz o produtor gaúcho perder pasto no verão não é apenas a falta de chuva, mas a combinação de uma escolha negligente da cultivar com a subestimação da compactação do solo.
Em regiões como Mostardas e a Planície Costeira, onde o solo arenoso predomina, a falta de uma estratégia radicular condena a produtividade antes mesmo do primeiro pastejo.
O Gargalo dos Solos Arenosos e a Compactação
Embora pareçam leves, os solos arenosos do Rio Grande do Sul sofrem com um processo chamado adensamento, que reduz a porosidade e impede a infiltração de água. Quando o produtor ignora essa condição, ele comete o erro comum que faz o produtor gaúcho perder pasto no verão: plantar variedades de raiz superficial.
Segundo o agrônomo Wagner Pires, a compactação atua como uma laje física. Sem o manejo adequado, a planta não consegue buscar umidade em camadas profundas (abaixo de 20-30 cm), tornando o pasto vulnerável a qualquer veranico.
Capim Caimã: A Tecnologia Híbrida como Solução
Para mitigar os riscos climáticos, a introdução do Capim Caimã (um híbrido de Brachiaria) surge como a alternativa mais viável. Ao contrário das braquiárias comuns, o Caimã foi desenvolvido para suportar o estresse hídrico moderado e, simultaneamente, o encharcamento temporário — comum nas planícies gaúchas após chuvas intensas.
Por que o Caimã se adapta ao RS?
- Resiliência Térmica: Testes realizados em latitudes similares às do Paraguai demonstram que esta cultivar tolera melhor as quedas bruscas de temperatura e geadas leves do que a Brachiaria brizantha convencional.
- Velocidade de Rebrote: Possui uma capacidade de recuperação pós-pastejo superior, o que evita que o solo fique exposto à radiação solar direta do verão.
O Papel Estratégico da Fosfatagem
Se a semente é o software, o fósforo é a energia do sistema. O erro comum que faz o produtor gaúcho perder pasto no verão é aplicar apenas nitrogênio, esquecendo-se da fosfatagem. O fósforo é o principal nutriente para a expansão radicular.
“A forma de enfrentar a compactação é através do fósforo. Ele ajuda a planta a ter um sistema radicular mais profundo”, explica Wagner Pires.
Em solos arenosos, a eficiência da fosfatagem é crítica, pois o nutriente é pouco móvel. Uma aplicação bem feita no preparo do solo garante que as raízes do Caimã “rompam” a compactação, acessando reservas de água que as plantas mal nutridas não alcançam.
Impacto Econômico e Sustentabilidade
Evitar esse erro comum reflete diretamente no bolso. Pastos degradados pela compactação reduzem a taxa de lotação de 1,5 UA/ha para menos de 0,5 UA/ha no pico do verão. Ao investir no binômio “Genética (Caimã) + Nutrição (Fosfatos)”, o produtor assegura o fornecimento de massa verde de alta palatabilidade, mantendo o escore corporal do gado em períodos de transição.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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