O maior boi do mundo? Conheça o Chianina, ancestral da autêntica Bisteca Fiorentina

Com peso superior a 1.700 kg e altura que ultrapassa 1,80 m, o Chianina, o boi gigante, une tradição milenar, alto desempenho no cruzamento industrial e a exclusividade da legítima gastronomia toscana.

Reconhecido mundialmente como a maior e mais pesada raça de gado do mundo, o Chianina, o boi gigante, é uma lenda viva que une a antiguidade clássica à pecuária de precisão moderna.

Com registros que remontam à Roma Antiga, esses animais originários do Vale de Chiana, na Toscana, não são apenas imponentes em tamanho, mas representam um dos pilares genéticos mais valiosos para o cruzamento industrial e a alta gastronomia global, sendo a única fonte da autêntica Bistecca alla Fiorentina.

A história e o porte colossal do Chianina, o boi gigante

A magnitude física desta raça é um dos seus traços mais marcantes. De acordo com dados históricos e da associação ANABIC, touros adultos podem ultrapassar 1,80 m de altura — com exemplares atingindo a marca impressionante de 2 metros — e pesar entre 1.200 kg e 1.700 kg. As fêmeas também impressionam, mantendo uma média de peso entre 800 kg e 1.000 kg.

Visualmente, o gado apresenta uma pelagem branco-porcelana única, com pele fina e pigmentação preta em extremidades como focinho e cascos. Uma curiosidade genética fascinante, citada por especialistas do setor, é que os bezerros nascem com uma tonalidade amarelada ou avermelhada, adquirindo o tom branco característico apenas após alguns meses de vida.

Do Vale de Chiana ao Brasil

Embora sua origem seja europeia, o Chianina, o boi gigante, demonstrou uma adaptabilidade extraordinária em solo brasileiro desde sua chegada na década de 1950. Sua rusticidade e tolerância ao calor o tornam um aliado estratégico no clima tropical. Em condições ideais de manejo, a raça se destaca pelo rápido desenvolvimento, apresentando um ganho de peso de até 2 kg por dia.

Historicamente utilizados para tração devido à sua força bruta, hoje o foco é total na produção de carne de qualidade superior. No Brasil, essa genética é valorizada não apenas pela pureza, mas por sua capacidade de transmitir fertilidade e precocidade aos rebanhos comerciais.

Cruzamento industrial

A principal aplicação moderna desta genética é o cruzamento industrial, especialmente com o Nelore. Esse processo aproveita o fenômeno da heterose (vigor híbrido) para gerar bezerros pesados e com musculatura hipertrofiada.

  • Abate Precoce: Animais meio-sangue podem atingir o peso ideal de abate aos 18 meses.
  • O fenômeno “Chiangus”: O cruzamento com o Angus une a estrutura massiva do Chianina à precocidade e ao marmoreio da raça britânica, resultando em carcaças de alto valor comercial.
  • Rendimento: O aproveitamento de carcaça é um dos maiores do mercado, superando expectativas de produtores acostumados a linhagens tradicionais.

O ritual da Bistecca alla Fiorentina

A carne do Chianina, o boi gigante, é a essência da verdadeira Bistecca alla Fiorentina. Diferente de outros cortes, esta peça é um T-bone imponente que reúne o filé mignon, o contrafilé e uma porção da alcatra, todos unidos pelo osso central.

Para os puristas da Accademia Italiana della Cucina, o preparo é um ritual técnico:

  1. A Espessura: A peça deve ter entre 3 a 4 dedos de altura (até 8 cm) e pesar no mínimo 1 kg.
  2. O Fogo: Deve ser selada em brasas ardentes sem sal inicial, para preservar a suculência interna.
  3. Descanso no Osso: O segredo é finalizar a carne “em pé” sobre o osso, permitindo que o calor suba de forma homogênea.
  4. O Ponto: A tradição exige que seja servida al sangue (malpassada), valorizando as fibras finas e a maciez extrema da carne magra da raça.

Seja no pasto brasileiro ou nos restaurantes mais sofisticados da Itália, o Chianina reafirma sua posição como um gigante insuperável do agronegócio.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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