O melhor mês da história da exportação de gado vivo paga até 63% a mais que o mercado interno

Com 170,4 mil cabeças embarcadas e faturamento de US$ 208,7 milhões, Brasil registra o melhor mês da história na exportação de gado vivo; Turquia lidera compras e cenário global indica demanda firme ao longo do ano.

O ano de 2026 começou com força total para a exportação brasileira de gado vivo. Em janeiro, o Brasil registrou o maior volume mensal já embarcado da história, consolidando um movimento que reforça a competitividade da pecuária nacional no cenário internacional e adiciona um importante canal de escoamento para os produtores.

De acordo com dados da Secex compilados pela Scot Consultoria, o país exportou 170,4 mil cabeças de bovinos vivos em janeiro, o melhor desempenho mensal desde o início da série histórica, em 2004 . Além do recorde em volume, o resultado também foi expressivo em receita: o faturamento atingiu US$ 208,7 milhões, igualmente o maior já registrado para um único mês.

Turquia lidera compras e concentra fluxo internacional

O principal destino do gado brasileiro foi a Turquia, responsável pela aquisição de 67,3 mil cabeças em janeiro . Na sequência aparecem Iraque, com 47,4 mil cabeças, e Marrocos, com 40,4 mil .

Também figuram entre os compradores Arábia Saudita, Líbano, Ilhas Turcas e Caicos, Guiana e Bolívia , mostrando uma carteira diversificada, mas fortemente concentrada no Oriente Médio e Norte da África.

O desempenho turco chama atenção não apenas pelo volume, mas pela sinalização de continuidade. No fim de janeiro, o Ministério da Agricultura e Florestas da Turquia publicou circular autorizando a importação de até 500 mil cabeças de bovinos machos para engorda em 2026, número semelhante ao do ano anterior . A expectativa é que cerca de 450 mil cabeças sejam efetivamente adquiridas, reforçando a sustentação da demanda .

Pará e Rio Grande do Sul puxam a exportação de gado vivo

No recorte por estados, o Pará liderou com 77,2 mil cabeças, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 53,2 mil . Também aparecem volumes classificados como “Não Declarados”, associados a embarques via Porto de São Sebastião (SP), o que sugere origens fora do eixo tradicional Pará–Rio Grande do Sul .

Houve ainda exportações terrestres de Roraima para a Guiana e de Mato Grosso do Sul para a Bolívia , evidenciando diferentes rotas logísticas e integração regional.

Ágio expressivo sobre o mercado interno

Um dos pontos mais relevantes para o pecuarista é o diferencial de preço entre o mercado interno (MI) e o valor FOB (Free on Board) da exportação. No Pará, em janeiro, o boi gordo exportado apresentou ágio médio de 38% sobre o mercado interno, com a arroba FOB a R$ 417,80, frente a R$ 302,73 no MI .

Já o boi magro no estado teve prêmio de 15%, com a arroba a R$ 394,27 no FOB contra R$ 342,88 no mercado doméstico.

No Rio Grande do Sul, os diferenciais foram ainda mais expressivos:

  • 45,7% de ágio para o boi magro,
  • 63% para o garrote,

com arrobas FOB de R$ 486,35 e R$ 467,61, respectivamente, frente a R$ 333,84 e R$ 286,80 no mercado interno .

O histórico de preços mostra que o valor FOB costuma acompanhar a trajetória do mercado interno, porém operando acima dele, ampliando ou reduzindo o spread conforme a intensidade da demanda externa . Em outras palavras, o mercado doméstico serve de base, e a exportação adiciona uma “camada extra” de preço, que tende a se expandir quando os embarques estão aquecidos.

Demanda global sustenta cenário favorável

O contexto internacional reforça a perspectiva positiva. Segundo dados mencionados pela análise, o rebanho bovino global e os estoques de carne vêm apresentando retração nos últimos anos, conforme apontamentos do USDA .

Com menor oferta global e o Brasil mantendo uma das arrobas mais competitivas do mundo, a expectativa é de que a exportação de bovinos vivos continue firme ao longo de 2026 .

Canal estratégico para o produtor

A exportação de gado vivo vai além dos números recordes. Ela funciona como importante válvula de escoamento da produção, movimentando a cadeia desde as fazendas até os portos e ampliando as alternativas de comercialização para o pecuarista .

Em regiões como Pará e Rio Grande do Sul, onde os embarques são mais intensos, os efeitos aparecem diretamente nas cotações, fortalecendo o poder de negociação do produtor e reduzindo a dependência exclusiva do mercado frigorífico interno.

Se janeiro serve como termômetro, 2026 começa com um sinal claro: a exportação de gado vivo voltou ao centro das atenções da pecuária brasileira, com impacto direto nos preços e na dinâmica de oferta e demanda dentro do país.

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