No extremo sul do país, município gaúcho lidera a produção nacional de arroz com lavouras gigantescas, alta tecnologia e impacto bilionário no agronegócio.
Quando o brasileiro coloca arroz no prato diariamente, grande parte desse alimento tem origem no extremo sul do país. O Rio Grande do Sul consolidou-se há décadas como o maior produtor nacional do cereal e, dentro desse protagonismo, uma cidade gaúcha vem chamando atenção por liderar rankings nacionais de produção: Santa Vitória do Palmar, município localizado no sul do estado, próximo à fronteira com o Uruguai.
A força da produção arrozeira na região é tão grande que o município se tornou símbolo da capacidade produtiva do agro gaúcho. O estado responde sozinho por cerca de 68% a 70% de todo o arroz produzido no Brasil, segundo dados do IBGE, IRGA e da Radiografia da Agropecuária Gaúcha.
Mais do que números impressionantes, o arroz gaúcho movimenta bilhões de reais, gera milhares de empregos e sustenta uma cadeia econômica estratégica para o abastecimento nacional. Em diversas cidades da Metade Sul do Rio Grande do Sul, o cereal é a principal atividade econômica e influencia diretamente a renda, o comércio e a arrecadação dos municípios.
Santa Vitória do Palmar aparece entre os municípios mais importantes do país na produção de arroz irrigado. Dados divulgados pela Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul apontam que o município lidera o ranking nacional em quantidade produzida e valor da produção do cereal.
A cidade reúne condições naturais consideradas ideais para o cultivo: disponibilidade hídrica abundante, extensas áreas planas, clima favorável e tradição histórica na produção de arroz irrigado.
Além disso, a proximidade com as lagoas Mirim e Mangueira garante acesso à água, fator fundamental para o sistema de cultivo predominante na região. Segundo autoridades locais e representantes do setor, o uso intensivo de tecnologia e manejo eficiente também ajudou a transformar o município em referência nacional.
O arroz produzido ali abastece indústrias beneficiadoras, supermercados e mercados consumidores espalhados por praticamente todo o Brasil.
O protagonismo gaúcho no arroz não é recente. Conforme dados do IBGE e do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), o estado produz, em média, cerca de 8 milhões de toneladas do cereal por safra.
A liderança é tão consolidada que estados inteiros ficam muito atrás da produção gaúcha. Santa Catarina aparece em segundo lugar, mas com participação bastante inferior no volume nacional. Tocantins e Mato Grosso completam o grupo dos maiores produtores brasileiros.
O sistema de arroz irrigado adotado no Rio Grande do Sul é considerado um dos mais eficientes do mundo. Em algumas regiões, a produtividade supera 9 toneladas por hectare, índice acima da média brasileira e comparável a grandes polos internacionais de produção.
Segundo o IRGA, a safra 2024/25 registrou recorde histórico de produtividade no estado, alcançando média de 9.044 kg por hectare. A produção total chegou a 8,76 milhões de toneladas, avanço de 21,7% em relação ao ciclo anterior.
Especialistas apontam que o domínio da irrigação é um dos principais motivos do sucesso do arroz gaúcho. Diferentemente de outras regiões do país, o cultivo no Rio Grande do Sul ocorre majoritariamente em áreas inundadas, sistema que exige planejamento técnico, infraestrutura hídrica e alto nível de manejo.
A modernização das lavouras também acelerou a produtividade nos últimos anos. Máquinas agrícolas de precisão, sementes melhoradas, drones, monitoramento climático e manejo racional da água passaram a fazer parte da rotina das propriedades.
Segundo o IRGA, a adoção tecnológica pelos produtores foi determinante para elevar os índices produtivos e manter o estado como líder absoluto do cereal no Brasil.
Além da produção primária, a cadeia do arroz movimenta indústrias, cooperativas, transportadoras e exportadoras, fortalecendo a economia regional.
Embora a maior parte da produção brasileira seja destinada ao mercado interno, o arroz produzido no Rio Grande do Sul também ganha espaço internacionalmente.
Dados da Radiografia da Agropecuária Gaúcha mostram que o estado exporta arroz para dezenas de países, incluindo mercados como México, Costa Rica e Senegal.
O setor arrozeiro gaúcho também possui forte peso tributário e econômico. Segundo a Federarroz, a cadeia responde por parcela importante da arrecadação de ICMS do estado e gera milhares de empregos diretos e indiretos.
Apesar da liderança nacional, a atividade também convive com desafios constantes. O arroz irrigado depende diretamente da disponibilidade de água e sofre impacto de eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas e enchentes.
Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul enfrentou períodos de seca severa e também enchentes históricas, afetando parte das lavouras e elevando os custos de produção. Mesmo assim, o estado manteve sua posição de gigante nacional do arroz graças à capacidade de adaptação dos produtores e ao investimento contínuo em tecnologia.
Hoje, cidades como Santa Vitória do Palmar, Uruguaiana, Alegrete, Itaqui e Dom Pedrito simbolizam a força do arroz brasileiro. Juntas, elas ajudam a garantir o abastecimento nacional e reforçam o papel estratégico do agronegócio gaúcho na segurança alimentar do país.
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