O que fazer quando a safra é mal sucedida?

Entenda como a irregularidade das chuvas e aliado com o plantio atrasado amplia a ameaça de quebra de safra em 2025

Apesar das projeções de uma safra recorde em 2025, com o IBGE e a Conab estimando a produção de grãos em patamares superiores a 340 milhões de toneladas – um crescimento notável em relação a 2024 (IBGE, set/2025) – o setor agrícola continua sob a sombra da imprevisibilidade climática e de mercado.

A quebra de safra é, portanto, um risco inerente e um dos maiores desafios de gestão. Este artigo explora as causas, o impacto financeiro e, crucialmente, o que fazer quando a safra é mal sucedida para mitigar perdas, garantindo a sustentabilidade do investimento em um cenário de alta volatilidade.

O impacto multifacetado da quebra de safra no agronegócio em 2025

A quebra de safra é definida pela perda total ou parcial da colheita devido a fatores externos ou falhas de manejo, resultando em plantas não produtivas ou produtos de baixa qualidade. O prejuízo é sentido em cascata, afetando a rentabilidade do produtor e o desempenho macroeconômico.

Dados de prejuízo e rentabilidade (2025):

  • Queda na Rentabilidade: Projeções para o ciclo 2025/2026 indicam uma queda significativa na margem bruta do produtor. Estimativas apontam para uma retração de 36,7% na rentabilidade da soja e um recuo ainda mais drástico, de 92,2% para o milho, em comparação com ciclos anteriores, pressionadas pelo aumento dos custos operacionais e pela volatilidade dos preços (Agro Estadão, out/2025).
  • Perdas Regionais: A falta de chuvas em regiões como o Piauí, por exemplo, já comprometeu mais de 25% da safra de grãos (soja e milho), gerando preocupação entre os produtores (Aprosoja Piauí, mar/2025). Prejuízos causados pela seca em ciclos anteriores, como no Rio Grande do Sul, chegaram a custar mais de R$ 10 bilhões (AgFeed, mar/2025), evidenciando o risco bilionário da estiagem.

Causas climáticas e de manejo na quebra de safra

É crucial entender os fatores que levam à quebra de safra:

  1. Eventos Climáticos Extremos: Flutuações de temperatura e regimes de chuva irregulares, como períodos prolongados de seca ou de chuvas torrenciais (inundações), continuam sendo as principais ameaças.
  2. Atraso no Plantio: A irregularidade nas chuvas no início do ano (jan/2025), especialmente em Mato Grosso, causou atrasos no plantio da soja, o que eleva a probabilidade de uma quebra significativa na segunda safra de milho (Canal Rural, jan/2025), caso o clima não se estenda favoravelmente.
  3. Ameaças Fitossanitárias: Pragas e doenças, como a temida Ferrugem Asiática da Soja, representam um risco de perda de produtividade de até 90% se não forem controladas rigorosamente.

Como documentar corretamente a quebra de safra para acionar coberturas

O que fazer quando a safra é mal sucedida? Entenda a quebra de safra
Foto: Divulgação

Quando o dano ocorre, a comprovação é a chave para a recuperação financeira. O Laudo Agronômico de Perdas é o instrumento formal, preenchido por um agrônomo ou técnico, que detalha o ocorrido.

Este laudo deve ser munido de evidências irrefutáveis, como:

  • Registro Fotográfico, de Vídeo ou de Satélite da lavoura afetada.
  • Documentação da Época, Motivos e Técnicas de Manejo (adubação e plantio) utilizadas.
  • Recortes de Reportagens e Dados Oficiais sobre as Condições Climáticas da região.
  • Ata Notarial: Um recurso jurídico valioso onde o tabelião atesta, com fé pública, o estado da lavoura e as perdas observadas in loco, reforçando a credibilidade da quebra de safra.

O que Fazer para Mitigar Riscos

A resposta mais eficaz para a pergunta “o que fazer quando a safra é mal sucedida” reside na prevenção e na gestão de riscos.

1. Planejamento Integrado e Acompanhamento Técnico

O planejamento agrícola não deve ser apenas um cronograma, mas uma matriz de riscos. O acompanhamento contínuo de um técnico especializado permite a análise de solo detalhada, a rotação de culturas mais eficiente e a escolha de cultivares mais resilientes ao risco climático local.

2. Modernização e Agricultura 4.0

A tecnologia é o grande aliado contra a quebra de safra. A adoção de ferramentas de Agricultura de Precisão (AP), como o monitoramento por satélite e o uso de softwares de gestão, permite ao produtor tomar decisões baseadas em dados em tempo real, otimizando o uso de água (irrigação) e insumos (fertilizantes e defensivos).

3. Seguro Agrícola: A Proteção Financeira Fundamental

O seguro agrícola é a principal rede de segurança contra a imprevisibilidade. Ele garante que, mesmo diante de uma quebra de safra causada por fenômenos naturais, o produtor consiga recuperar o valor investido, permitindo a continuidade do negócio.

Apesar da importância, a área coberta pelo seguro rural no Brasil ainda é baixa. Projeções de 2025 indicam que a área segurada pode chegar a apenas 2% da área total cultivada (CNseg, nov/2025), um número alarmante que demonstra a alta vulnerabilidade do produtor. Além disso, pequenos e médios produtores, que dependem da subvenção federal, são os mais afetados por cortes orçamentários no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Atenção: Em 2025, o orçamento do PSR enfrenta cortes que podem reduzir a área coberta. No entanto, produtores engajados em práticas sustentáveis (como no programa RenovAgro) podem ter percentuais de subvenção maiores, chegando a 35% na soja e 45% em outras atividades (Gov.br/MAPA, ago/2025), o que serve de incentivo.

Apesar das projeções otimistas que colocam o PIB do Agronegócio com uma participação próxima a 29,4% do PIB nacional em 2025 (CNA/Cepea, jun/2025), a ameaça da quebra de safra continua real e com potencial de reverter ganhos bilionários. A resiliência do produtor passa, inevitavelmente, pela combinação de expertise agronômica, investimento em tecnologia de monitoramento e, principalmente, pela proteção financeira oferecida pelo seguro agrícola. Em um cenário de alto risco climático e rentabilidade apertada, gerir o risco não é mais uma opção, mas uma condição para se manter competitivo e lucrativo no agronegócio brasileiro.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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