ONG aposta na compra de fazendas para barrar desmatamento no Pantanal

ONGs ampliam corredores ecológicos e apostam em conservação privada para proteger biodiversidade e conter avanço da degradação no bioma.

A preservação do Pantanal tem ganhado um novo aliado: a aquisição de propriedades rurais por organizações ambientais como forma de conter o avanço do desmatamento e garantir a conservação de áreas estratégicas. A iniciativa, liderada pela Onçafari, já contribui para a formação de um corredor ecológico que conecta cerca de 430 mil hectares no bioma.

A estratégia consiste na compra de fazendas com alto valor ambiental, mas que estariam vulneráveis à conversão para atividades produtivas, como a pecuária. Em muitas dessas áreas, a legislação permite a supressão de parte significativa da vegetação nativa, o que abre espaço para o avanço do desmatamento. Ao adquirir essas propriedades, as organizações garantem a manutenção da cobertura vegetal e evitam a fragmentação dos habitats.

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Além da compra direta, o modelo também busca envolver produtores rurais vizinhos. A proposta é criar uma rede de conservação contínua, onde diferentes propriedades — públicas e privadas — atuam de forma integrada. Essa conexão entre áreas preservadas é considerada essencial para a sobrevivência de diversas espécies, especialmente aquelas que necessitam de grandes territórios, como a onça-pintada.

Outro ponto central da iniciativa é a conciliação entre produção e preservação. Em vez de excluir completamente a atividade econômica, as organizações incentivam práticas sustentáveis dentro das propriedades, mostrando que é possível manter a produtividade sem comprometer o meio ambiente.

O avanço desse modelo ocorre em um momento de crescente preocupação com o futuro do Pantanal, que tem enfrentado pressões como queimadas, mudanças climáticas e expansão agropecuária. Especialistas apontam que a criação de corredores ecológicos pode ser uma das alternativas mais eficazes para reduzir os impactos ambientais e garantir a resiliência do bioma.

Ao transformar a conservação em um ativo estratégico, iniciativas como essa indicam uma mudança no papel da iniciativa privada na proteção ambiental. Mais do que preservar áreas isoladas, o objetivo passa a ser a construção de paisagens conectadas, capazes de sustentar a biodiversidade e equilibrar desenvolvimento econômico e conservação a longo prazo.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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