FAO e OMM preveem secas severas e inundações na América Latina, impactando a produção agrícola brasileira e elevando custos em meio a incertezas geopolíticas.
Em uma reunião estratégica realizada nesta quinta-feira (14), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) acendeu o sinal de alerta global ao confirmar que o El Niño de 2026 promete ser um dos mais intensos da história recente. O fenômeno meteorológico é classificado pela entidade como uma ameaça direta e imediata à segurança alimentar da América Latina, exigindo ações coordenadas e urgentes de mitigação para proteger as cadeias produtivas do continente.
De acordo com as projeções apresentadas por Julian Báez Benítez, diretor da Organização Meteorológica Mundial (OMM), a severidade atípica do El Niño de 2026 deve desencadear uma série de eventos extremos nos próximos meses. O avanço do fenômeno climático será marcado por ondas de calor sufocantes, secas prolongadas e inundações severas, afetando com maior criticidade a região dos países andinos e a América Central.
Consequências do El Niño de 2026 no cenário agrícola do Brasil
No território brasileiro, os efeitos da anomalia climática serão sentidos de forma polarizada geograficamente. Conforme o relatório da OMM, a região Sul enfrentará excesso de chuvas e graves riscos de enchentes, enquanto o Nordeste deve se preparar para enfrentar secas severas.
Essa instabilidade climática tende a golpear a produção agrícola nacional em um momento macroeconômico já delicado. Os líderes setoriais presentes no encontro destacaram que o setor rural sofrerá uma elevação acentuada nos custos de produção. Essa pressão financeira é agravada pelo encarecimento global de combustíveis e fertilizantes, reflexo direto dos recentes conflitos geopolíticos no Oriente Médio, estreitando ainda mais a margem de lucro dos produtores.
Estratégias de mitigação e resiliência no campo
Diante do prognóstico alarmante, Rocio Medina Bolívar, diretora regional do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), reforçou que o plano de contingência para os próximos seis meses deve ser imediato. O foco central proposto pela entidade envolve a blindagem das propriedades por meio de práticas sustentáveis.
Entre as prioridades elencadas pelo FIDA para conter o impacto nas lavouras e pastagens estão:
- A restauração urgente de solos degradados;
- A conservação de ecossistemas nativos para regulação térmica;
- A democratização do acesso a dados e informações climáticas em tempo real;
- A ampliação de linhas de financiamento direcionadas à adaptação climática no setor rural.
Proteção social e alertas precoces contra o El Niño de 2026
O debate promovido pela FAO colocou em evidência a vulnerabilidade socioeconômica de pequenos e médios produtores rurais, que historicamente possuem menos ferramentas para resistir aos impactos severos do El Niño de 2026. Diante disso, os especialistas defenderam que a estabilidade do campo dependerá do robustecimento de políticas públicas e da ampla expansão do seguro rural.
Complementando a análise de riscos, Lena Savelli, diretora regional do Programa Mundial de Alimentos (PMA), enfatizou que eventos climáticos extremos deixarão de ser anomalias esporádicas para se tornarem frequentes e intensos. Para Savelli, a prevenção é a única barreira eficiente contra potenciais crises humanitárias de desabastecimento. A gestora pontuou que o uso combinado de crédito estruturado, seguro agrícola e sistemas de assistência social é inegociável, destacando o papel vital dos sistemas de alerta climático precoce para permitir respostas governamentais rápidas, baratas e focadas em salvar safras e vidas.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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