Ação conjunta entre Ibama e Polícia Federal desarticula centro clandestino de secagem na Bahia; carga de barbatanas de tubarão de origem ilegal incluía espécies ameaçadas e visava o mercado internacional
Em uma ofensiva estratégica contra o tráfico internacional de fauna, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) desarticulou, na última quinta-feira (12), um centro clandestino de beneficiamento de pescado no interior da Bahia. A ação resultou na apreensão de 1,5 tonelada de barbatanas de tubarão de origem ilegal, material que estava estocado em uma unidade rústica no município de Rodelas, ao norte do estado.
O volume impressionante de carga ilegal evidencia a pressão predatória sobre os ecossistemas marinhos. De acordo com o Ibama, o produto confiscado possui alto valor comercial e inclui partes de espécies que figuram na lista de animais ameaçados de extinção. O destino final desse material seria o mercado externo, onde as peças são amplamente utilizadas pela medicina tradicional e pela alta gastronomia asiática.
O impacto ambiental das barbatanas de tubarão de origem ilegal
A logística do crime ambiental operava em uma unidade de secagem e preparo situada na zona rural. O local foi imediatamente embargado pelos agentes. Durante a incursão, que contou com o apoio da Polícia Federal (PF) e do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), as autoridades prenderam sete pessoas em flagrante. Entre os envolvidos, estavam quatro brasileiros (incluindo um menor de idade) e três cidadãos chineses.
A prática que sustenta esse mercado é o chamado finning. Segundo os especialistas do setor, esse método consiste na remoção das nadadeiras do animal ainda vivo, que é devolvido ao mar sem condições de sobrevivência. Além da crueldade extrema, a retirada sistemática desses predadores do topo da cadeia gera um desequilíbrio severo na biodiversidade oceânica, afetando indiretamente até a produtividade da pesca legal e sustentável.
Consequências jurídicas e rigor na fiscalização
Os suspeitos foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro (BA). O grupo responderá por uma série de infrações graves, que incluem crimes contra a fauna, receptação qualificada e corrupção de menores. A legislação brasileira é clara ao proibir a captura direcionada e qualquer etapa da cadeia produtiva — seja transporte ou comercialização — de barbatanas de tubarão de origem ilegal sem a devida autorização ministerial.
O cerco contra o tráfico de subprodutos marinhos faz parte de uma política mais ampla de vigilância sobre a nossa costa e fronteiras. Com o embargo da unidade de Rodelas e a apreensão de equipamentos de precisão, as autoridades esperam desestimular rotas terrestres de escoamento de produtos ilegais que tentam burlar a fiscalização portuária.
VEJA MAIS:
- Adeus, calor? Veja quando o verão de 2026 chega ao fim
- Morre, aos 84 anos, gigante do agronegócio brasileiro
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.