A comercialização é capaz de movimentar milhões de dólares em apenas um evento e, em alguns casos, com a venda de apenas um animal.
O Pará detém atualmente o segundo maior rebanho bovino do país, com 26.754.388 animais, além de possuir o maior rebanho bubalino, com 750.301 búfalos. Essa quantidade aliada à qualidade e à segurança sanitária do gado paraense tornaram o estado um dos grandes polos de organização de leilões no Brasil. Até o final de 2023, devem ocorrer 102 leilões de animais no estado, segundo o calendário de eventos agropecuários elaborado pela Federação de Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa).
A comercialização é capaz de movimentar milhões de dólares em apenas um evento e, em alguns casos, com a venda de apenas um animal, no entanto, quem atua no ramo ressalta que a importância dos leilões não se restringe ao aspecto financeiro. De acordo com o zootecnista e leiloeiro rural, Guilherme Minssen, a venda de animais é uma prática tradicional no campo, porém ocorria historicamente sem a adoção de medidas de controle.
Minssen destaca que a constante profissionalização do agronegócio elevou o nível das exigências e, por isso, a organização de um leilão atualmente é baseada no atendimento a três pilares: sanidade, nutrição e genética. “Se não houvesse os leilões que são legais e fiscalizados, a gente teria apenas uma comercialização irregular”, avalia o zootecnista, que também é diretor técnico da Faepa.
“A nossa maior especialidade é o gado de corte. Cerca de 95% dos leilões são para esse segmento e cerca de 5% para produção de leite. Isso falando apenas de bovinos e bubalinos, mas não se pode esquecer todas as classes de equinos que existem, como esporte, lazer, vaquejada, baliza e tambor, hipismo, entre outras. Esse mercado existe e para tudo isso tem leilões”, acrescenta.
Esse mercado em expansão também é acompanhado pela inovação tecnológica. Se há alguns anos, grande parte dos eventos ocorria presencialmente em locais onde os produtores rurais podiam conferir a qualidade dos animais em oferta e fazer networking com outros pecuaristas e criadores; na atualidade os leilões ocorrem em grande parte por transmissões pela internet, atraindo inclusive potenciais compradores de outros estados e estrangeiros.
“Se for pensar o leilão só como o evento, você acaba vendo apenas uma cena, mas por trás daquilo tem os catálogos, tem o registro no Ministério da Agricultura, tem a captação de imagens boas, enfim é toda uma cadeia movimentada”, esclarece Guilherme Minssen, que já atua há quase 40 anos no setor em eventos em todo o país.
Na época, em meados dos anos 1980, ele diz que o principal evento do ramo era o Leilão Tingauna, que ocorria na própria capital, no subsolo do antigo Hotel Hilton. Anos mais tarde, na inauguração de um shopping na região metropolitana de Belém, em 1993, ele relata que leiloou o animal mais valioso de sua trajetória até então: um cavalo da raça quarto de milha pelo valor de US$ 100 mil.
Hoje, os leilões se popularizaram pelo interior do estado e conseguem abranger diferentes interesses por raças como Murrah, Jafarabadi, Nelore, Tabapuã, Holandês, Angus, Brangus, entre outras; além de atender aos pequenos produtores, que podem não possuir animais de elite, mas veem na comercialização uma forma de melhorar a qualidade de seu rebanho e da sua produção.
“Se tiver, por exemplo, um animal mais precoce, que produza mais, em menor tempo e com uma carne de maior qualidade, você vai ter o mesmo custo, mas vai trabalhando um animal melhor”, comenta Minssen, destacando a importância dos leilões na qualidade genética do gado.
Para João Rocha, presidente da Associação Paraense de Criadores de Búfalo, esse foi um dos motivos que o levou a investir na organização de leilões no arquipélago do Marajó. “Lá atrás, a gente começou a produzir leite e lutou para melhorar a genética. Começamos produzindo cerca de um litro de leite por vaca. Hoje, nós já temos vacas boas dando três litros de leite e outras que produzem muito mais. É uma grande evolução que vemos desde 2016”, conta o pecuarista, que diz que em um dos eventos realizados no ano passado foram movimentados mais de R$ 1,2 milhão.

“Existe um processo de melhoria para os criadores com a chegada dos leilões porque se passa a ter animais que tem procedência de produtividade tanto para a carne quanto para o leite. Com o leilão, se introduz e se distribui de uma forma mais democrática esses animais no campo. São formas democráticas porque as compras são financiadas em até 40 vezes. Isso é uma grande vantagem para o produtor que faz esse investimento”, pontua Rocha.
Assim como em outras regiões, no Marajó, os leilões também tem aproveitado o uso de ferramentas tecnológicas que servem para atrair os compradores e são também um veículo de propaganda para os produtores. “Nós estamos organizando dois leilões por ano, chegando a ter 32 compradores, sem contar aqueles que acompanham a transmissão, que chegam a passar de duas mil visualizações”, comenta João Rocha, que frisa: “Os leilões são benéficos para o conjunto dos produtores porque se melhora a qualidade genética dos animais de toda a região”.
Fonte: O Liberal
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