Pasto, feno ou grãos? Entenda como os americanos alimentam o gado para enfrentar o inverno e garantir o marmoreio da carne. Confira a análise completa
Quando olhamos para a pecuária internacional, uma dúvida comum recai sobre a dieta dos rebanhos no Hemisfério Norte. Afinal, com invernos rigorosos e neve cobrindo o solo, como os americanos alimentam o gado para manter taxas de produtividade tão elevadas? Ao contrário do Brasil, onde o “boi a pasto” é a regra predominante o ano todo, nos Estados Unidos a estratégia nutricional é um híbrido complexo que varia conforme a estação do ano e a fase de vida do animal.
Para compreender a fundo como os americanos alimentam o gado, é preciso analisar o ciclo de vida do bezerro. Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a grande maioria do rebanho norte-americano passa a maior parte de sua vida — especificamente a fase de cria e recria — em pastagens abertas, alimentando-se de forrageiras nativas ou cultivadas. No entanto, o feno entra como um protagonista estratégico e não apenas como um complemento.
O que é o feno e por que ele é vital?
Tecnicamente, o feno nada mais é do que a forragem (plantas inteiras) submetida a um processo rigoroso de desidratação parcial. O objetivo é reduzir a umidade da planta — geralmente para níveis entre 15% e 20% — preservando seus nutrientes para que possam ser armazenados por longos períodos sem apodrecer. Diferente da silagem, que é fermentada, o feno é seco. Essa “comida desidratada” é a peça-chave para entender como os americanos alimentam o gado de forma constante, pois permite estocar a produção do verão para ser consumida quando a neve cobre o pasto.
O papel estratégico do feno na nutrição sazonal
O inverno é o divisor de águas que define como os americanos alimentam o gado. Em estados produtores chave como Texas, Nebraska e Kansas, a neve ou as secas extremas impedem o pastejo contínuo. É neste momento que o feno (hay) se torna a base da sobrevivência e manutenção do escore corporal.
Diferente do Brasil, onde a silagem de milho é muito comum na seca, nos EUA a cultura do feno é massiva. O feno de alfafa (Alfalfa Hay) e o feno de gramíneas (como Timothy ou Bermuda) são colhidos e armazenados em grandes volumes durante o verão. Pesquisas de extensão da Universidade de Nebraska indicam que o custo de alimentação no inverno pode representar mais de 60% dos custos variáveis de uma fazenda de cria, tornando a qualidade deste feno essencial para a rentabilidade. Portanto, não é uma escolha entre pasto ou feno, mas sim uma sucessão obrigatória: pasto no verão, feno no inverno.
O confinamento e como os americanos alimentam o gado na terminação
A grande distinção global de como os americanos alimentam o gado ocorre na fase final: a terminação. Enquanto o bezerro nasce e cresce no pasto ou consumindo feno, a engorda para o abate segue um caminho industrial.
Cerca de 95% a 97% do gado abatido nos EUA passa pelo sistema de Feedlot (confinamento) nos últimos 4 a 6 meses de vida. Nesta etapa, a dieta muda radicalmente de volumoso (pasto/feno) para concentrado energético. A base desta alimentação é o grão, especificamente o milho, devido à abundância do “Corn Belt” (Cinturão do Milho).
Esta dieta rica em amido é responsável pelo famoso marmoreio (gordura entremeada) da carne americana, classificada pelo USDA como Prime, Choice ou Select. Embora exista um nicho crescente de Grass-fed (gado terminado a pasto), ele ainda representa uma pequena fração do mercado, sendo que a resposta para como os americanos alimentam o gado visando o mercado premium quase sempre envolve grãos e confinamento tecnológico.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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