Peixe BR: produção de cultivo cresce 4,4% em 2025, para 1,01 milhão de t

O crescimento foi de 4,41% sobre o ano anterior, de acordo com o Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026, divulgado na terça-feira, 24, em Brasília (DF).

São Paulo, 25 – A produção de peixes de cultivo no Brasil atingiu 1,012 milhão de toneladas em 2025, superando pela primeira vez a barreira de 1 milhão de toneladas. O crescimento foi de 4,41% sobre o ano anterior, de acordo com o Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026, divulgado na terça-feira, 24, em Brasília (DF). “A meta é chegar à liderança global em 2040”, afirmou Francisco Medeiros, presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

O resultado coloca o Brasil em um grupo seleto de países que ultrapassaram essa marca. Desde 2015, a produção nacional cresceu 58,5%, saindo de 638 mil toneladas. O avanço de 2025 foi registrado apesar de um ano marcado por adversidades climáticas, instabilidade nos preços ao produtor e o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras, incluindo pescados.

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A tilápia manteve-se como espécie dominante, com 707,495 mil toneladas produzidas, alta de 6,83% sobre 2024 e participação de quase 70% na produção total. O Paraná lidera o cultivo da espécie, com 273,1 mil toneladas, seguido por São Paulo (88,5 mil t), Minas Gerais (73,5 mil t), Santa Catarina (52,7 mil t) e Mato Grosso do Sul (38,7 mil t).

No campo dos preços, o ano foi difícil. O valor médio pago ao produtor caiu 20,6% em termos reais no primeiro semestre, chegando a R$ 7,92 por quilo, pressionado pelo excesso de oferta num período de demanda fraca. Houve recuperação no segundo semestre, mas insuficiente para compensar: de janeiro a novembro, o preço médio ficou 11,4% abaixo do registrado em igual período de 2024, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Ao contrário da tilápia, os peixes nativos registraram queda pelo terceiro ano consecutivo. A produção chegou a 257,07 mil toneladas, recuo de 0,63% sobre 2024. O setor enfrenta um mercado mais restrito, com o consumo se concentrando nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e carece de avanços tecnológicos e de industrialização que já ocorreram na tilapicultura. Rondônia liderou a produção de peixes nativos (55,2 mil t), seguida por Maranhão (42,7 mil t) e Mato Grosso (40 mil t).

No ranking estadual da produção de peixes de cultivo, o Paraná manteve a liderança com folga: 273,1 mil toneladas, ou 27% da produção nacional, com crescimento de 9,1% sobre o ano anterior. São Paulo ficou na segunda posição (93,7 mil t), seguido por Minas Gerais (77,5 mil t), Santa Catarina (63,4 mil t) e Maranhão (59,6 mil t), este último com o maior índice de crescimento entre os dez maiores produtores, de 9,36%. A região Sul registrou o maior avanço entre as regiões, de 8,08%, chegando a 360,8 mil toneladas. A região Norte foi a única a recuar, com queda de 1,41%.

Do lado das exportações, o setor apresentou crescimento de 2% em valor, atingindo US$ 60,229 milhões. Mas o volume retraiu 1%, para 13,684 mil toneladas. A tilápia respondeu por 94% do total exportado, com US$ 56,6 milhões. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, absorvendo 87% das exportações (US$ 52 milhões), apesar das tarifas extras. Canadá (4%) e Peru (4%) aparecem na sequência. O destaque do ano foi o filé congelado de tilápia, cujos embarques cresceram 421%.

O Brasil, no entanto, perdeu uma posição no ranking de fornecedores de tilápia para o mercado norte-americano, passando do quarto para o quinto lugar, pressionado pelo avanço do Vietnã, que quadruplicou seus embarques para os EUA no período.

Em 2025, o Brasil passou a importar tilápia. As compras, originadas do Vietnã, começaram em agosto e se concentraram em Santa Catarina, que importou 348 toneladas ao preço médio de US$ 4,02 por quilo. São Paulo registrou uma operação em dezembro, com 26 toneladas. O movimento provocou preocupação no setor quanto à concorrência de preços e aos padrões sanitários do produto estrangeiro.

No total, as importações de peixes de cultivo somaram US$ 1,019 bilhão em 2025, queda de 3% sobre 2024. O salmão dominou, com US$ 847 milhões e participação de 83%. O pangasius ficou em segundo (US$ 166 milhões), e a tilápia, em terceiro, com US$ 1,5 milhão. A balança comercial da piscicultura fechou com déficit de US$ 959 milhões.

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