Tecnologia com inteligência artificial permite aumentar o número de pesagens, reduzir estresse animal e transformar o peso em ferramenta estratégica de gestão dentro da porteira; veja o veja o passo a passo para pesar gado do pasto
Quanto custa hoje pesar o seu gado? Pesar o gado ainda é, em grande parte das fazendas brasileiras, uma operação que exige estrutura, tempo e mão de obra. O processo tradicional envolve reunir os animais no pasto, conduzi-los por longas distâncias até o curral, imobilizar um a um no brete e registrar o peso na balança. Em média, são necessários cinco vaqueiros para manejar cerca de 100 animais, em um procedimento que pode levar de três a quatro horas, além de expor tanto os trabalhadores quanto os bovinos a riscos de acidentes, hematomas e elevado estresse.
Na prática, isso faz com que muitas propriedades pesem o rebanho apenas duas vezes ao ano, normalmente durante manejos sanitários. O problema é que, ao pesar pouco, o produtor toma decisões “às cegas” por até seis meses. E os números mostram que essa diferença de frequência impacta diretamente no resultado.
Um estudo conduzido pelo professor Moacyr Corsi, da Esalq, mostrou um dado impressionante: fazendas que realizavam apenas duas pesagens anuais registravam ganho médio diário (GMD) de 389 gramas, enquanto aquelas que pesavam seis vezes ao ano atingiam 719 gramas de GMD, praticamente o dobro, mantendo a mesma equipe, área e número de animais . A conclusão é clara: decisões baseadas em dados de peso — como apartação, ajuste de lotação, definição de dieta e momento de venda — elevam significativamente a produtividade. Em termos práticos, mais ganho de peso significa mais arrobas produzidas por hectare e maior faturamento por animal.
É nesse cenário que surge uma mudança de lógica: em vez de levar o boi até a balança, é a balança que vai até o boi .

Da balança ao campo: o que muda na prática
Com a tecnologia desenvolvida pela startup brasileira Olho do Dono, especializada em pesagem e auditoria de gado por imagem e inteligência artificial, a pesagem passa a ser feita por câmera diretamente no pasto ou no confinamento. O processo se torna mais ágil e integrado à rotina. Imagine pesar 300 animais em 15 minutos, sem curral, sem contenção pesada e sem interromper a rotina do pasto, com dois vaqueiros. É isso que a tecnologia da Olho do Dono proporciona.
Como a captura ocorre com o animal em movimento, durante uma atividade natural do dia a dia, o impacto no bem-estar é mínimo. O boi continua se alimentando normalmente após a passagem, sem a quebra de rotina típica do manejo convencional. Além disso, a redução de mão de obra e tempo reflete diretamente no custo operacional.
Por trás da estimativa de peso está a inteligência artificial. O sistema foi treinado com mais de 1,5 milhão de imagens 3D de bovinos associadas a pesos reais, captadas no momento em que os animais deixavam balanças tradicionais no Brasil e em outros países . A lógica é semelhante à experiência de um vaqueiro que “acerta o peso no olho” após anos de prática — mas, neste caso, baseada em banco de dados robusto e visão computacional.
Na prática, pesar no pasto deixa de ser um processo complexo e passa a ser algo simples dentro da rotina da fazenda.

PASSO A PASSO – Como pesar o gado no pasto com câmeras, utilizando a Olho do Dono
Passo 1 – Escolha do ponto estratégico
A câmera da Olho do Dono deve ser posicionada em um ponto de passagem do rebanho. O ideal é montar um corredor de aproximadamente 8 metros de comprimento por 70 centímetros de largura, utilizando materiais simples e estruturas já existentes na fazenda, como arame liso e estacas.
Esse corredor pode ser instalado em áreas estratégicas, como acesso a cochos, bebedouros ou trocas de pasto. O sistema pode funcionar tanto com condução dirigida — garantindo que 100% do lote passe pelo ponto de leitura — quanto por passagem natural, dependendo do objetivo do produtor.
Passo 2 – Instalação da câmera
A estrutura mínima envolve o corredor e um suporte para posicionar a câmera a cerca de 3 metros de altura. O equipamento opera com bateria interna própria e não depende de internet no campo.
Após a montagem da estrutura, o tempo médio para posicionar e deixar o sistema operacional é de cinco minutos . Ela é muito simples de usar, utiliza apenas um botão e tem processos intuitivos onde qualquer pessoa pode operar.Passo 3 – Captura das imagens
A câmera registra imagens do animal em movimento, sem necessidade de parada ou contenção . O sistema pode operar com ou sem brinco eletrônico. Quando integrado a leitor e identificação eletrônica, associa automaticamente o peso ao número do animal .
A frequência de pesagens pode ser definida pela própria fazenda , permitindo transformar a medição em um processo contínuo.
Passo 4 – Leitura corporal e cálculo do peso
A cada passagem, a câmera da Olho do Dono capta em média 30 imagens por segundo, gerando cerca de 30 modelos 3D por animal de forma automática . A inteligência artificial analisa automaticamente altura, comprimento, largura e diversas outras dimensões corporais .
O sistema foi calibrado para diferentes raças e portes, mantendo precisão em distintas idades e categorias .
Passo 5 – Validação e acesso aos dados
Os dados podem ser integrados ao sistema de gestão da fazenda ou enviados em relatórios em Excel ou PDF . O histórico permite acompanhar automaticamente o ganho médio diário (GMD) sem levar o animal ao curral .
O acompanhamento pode ser feito tanto por lote quanto de forma individual , inclusive por proprietários que não residem na fazenda.

Passo 6 – Uso prático no manejo
Com pesagens frequentes, o produtor define com maior precisão a hora de apartar, confinar, vender ou ajustar suplementação . O sistema também contribui para auditoria do rebanho, identificando animais faltantes, troca de lotes e até reutilização indevida de brincos .
Alertas de desempenho ajudam a identificar rapidamente animais com baixo GMD .
Passo 7 – Redução real do manejo
Ao eliminar idas frequentes ao curral, a fazenda reduz significativamente o manejo pesado . O bem-estar animal é preservado, evitando estresse que poderia comprometer o ganho de peso .
Passo 8 – Integração com a rotina
A tecnologia não elimina totalmente a balança tradicional, que ainda pode ser utilizada em manejos específicos, como sanitários ou na chegada e saída de animais . Porém, amplia o número de pesagens ao longo do ano, saindo de duas para até doze medições anuais .
A pesagem como indicador estratégico da pecuária moderna
O produtor rural convive hoje com variáveis que fogem ao seu controle: preço da arroba, custos de insumos, clima e mercado internacional . O produtor não controla o preço da arroba, mas controla o ganho de peso. Diante disso, a gestão dentro da porteira torna-se decisiva.
O peso é um dos principais indicadores produtivos. Acompanhar o desempenho com frequência permite corrigir rota mais rápido, aumentar GMD, ajustar manejo nutricional e melhorar o resultado econômico . Além disso, fortalece a auditoria do rebanho e o controle operacional .
Com escassez de mão de obra no campo, tecnologias que automatizam a coleta de dados e reduzem manejo tendem a se tornar padrão . Transformar a pesagem em um processo contínuo significa dar ao produtor mais agilidade, controle e base técnica para elevar produtividade e lucratividade.
Na prática, reduzir manejo deixou de ser apenas uma questão de estrutura: hoje é, sobretudo, uma questão de tecnologia aplicada à gestão pecuária.
No cenário atual da pecuária, medir deixou de ser apenas um controle operacional.
Quem mede mais, decide melhor — e quem decide melhor produz mais.
5 vantagens de pesar gado no pasto
- Mais frequência de pesagem
- Redução de manejo e estresse animal
- Economia de tempo e mão de obra
- Melhor controle do ganho de peso
- Mais precisão nas decisões de venda e manejo
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