Tecnologia inédita desenvolvida no Brasil aproveita resíduos agroindustriais e avança na economia circular com menor impacto ambiental.
Uma pesquisa inédita desenvolvida no Brasil está abrindo caminho para transformar restos de frutas em matéria-prima para diferentes setores industriais, como cosméticos, embalagens e até produtos farmacêuticos. A tecnologia, já validada em laboratório, representa um avanço importante no aproveitamento de resíduos e no fortalecimento da economia circular.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e propõe um novo método para produzir carboximetil holocelulose (CMHC), um derivado da celulose obtido a partir de resíduos de frutas como abacaxi e manga. O material surge como alternativa mais sustentável à carboximetilcelulose (CMC), amplamente utilizada na indústria como espessante e estabilizante.
O diferencial do processo está no aproveitamento conjunto da celulose e da hemicelulose — componentes presentes na biomassa vegetal que normalmente são descartados. Essa abordagem aumenta o rendimento da produção e reduz custos, além de valorizar um material que antes era considerado resíduo.
Outro ponto de destaque é a eficiência do método. A produção da CMHC ocorre com menor consumo de reagentes químicos e energia, além de gerar menos efluentes, o que reduz significativamente o impacto ambiental do processo.
As possibilidades de aplicação são amplas. Na indústria de cosméticos e higiene pessoal, o material pode ser utilizado na formulação de cremes, xampus e outros produtos. Já no setor de embalagens, há potencial para a produção de materiais biodegradáveis, alinhados à crescente demanda por soluções sustentáveis.
Além disso, a substância pode ser empregada na indústria alimentícia, atuando como espessante em produtos como sorvetes e bebidas, e também no setor farmacêutico, contribuindo para a estabilidade de medicamentos e formulações como colírios. Há ainda перспективas de uso em processos industriais, como na área de petróleo.
A proposta se insere em um movimento global de reaproveitamento de resíduos, especialmente no setor de cosméticos, onde cresce o uso de subprodutos de alimentos como matéria-prima. Esse modelo reduz desperdícios e atende a uma demanda crescente por produtos mais sustentáveis.
Atualmente, a tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento avançado, com resultados consolidados em escala laboratorial. O próximo passo é ampliar as aplicações e viabilizar a produção em escala industrial.
Ao transformar resíduos agroindustriais em insumos de alto valor agregado, a pesquisa reforça o potencial da ciência brasileira em desenvolver soluções inovadoras, capazes de unir produtividade, sustentabilidade e geração de novas oportunidades econômicas.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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