Petrobras retoma produção de ureia e reforça política nacional de fertilizantes; vídeo

Com capacidade para produzir 1,8 mil toneladas de ureia por dia, reativação da fábrica marca o retorno da Petrobras ao setor de fertilizantes e reduz a dependência externa de um insumo estratégico para o agronegócio brasileiro

A retomada da produção de ureia na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE) recolocou o tema dos fertilizantes no centro do debate econômico e político nacional. Nos últimos dias, o assunto ganhou ainda mais repercussão após um vídeo do petroleiro sergipano Antônio Raimundo viralizar nas redes sociais, celebrando o retorno das atividades da unidade e associando a reabertura ao compromisso do governo federal em trazer novamente a Petrobras para o setor.

No vídeo, o trabalhador destaca que a reativação da Fafen Sergipe simboliza mais do que a retomada de uma planta industrial: representa, segundo ele, uma política pública voltada à soberania produtiva e ao fortalecimento da indústria nacional. “A Fafen Sergipe é a Petrobras produzindo uma política de fertilizantes direcionada para as indústrias e para o agrocampo local e nacional”, afirma.

O retorno da Petrobras ao segmento de fertilizantes

A Fafen Sergipe integra o conjunto de unidades de fertilizantes nitrogenados que haviam sido desativadas nos últimos anos, em um contexto de desinvestimentos da estatal no setor. A decisão de interromper as operações, tomada ainda na década passada, aumentou a dependência brasileira de fertilizantes importados, especialmente nitrogenados como a ureia, insumo essencial para culturas como milho, arroz, trigo, algodão e cana-de-açúcar.

Desde o início do atual mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido publicamente o retorno da Petrobras à produção de fertilizantes, argumentando que um país com a dimensão agrícola do Brasil não pode depender majoritariamente do mercado externo para garantir sua segurança alimentar. Hoje, mais de 80% dos fertilizantes utilizados no país são importados, segundo dados do setor.

Anúncio oficial e capacidade produtiva

A retomada da produção da Fafen Sergipe foi anunciada oficialmente no final de 2025 pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard. De acordo com a estatal, a unidade possui capacidade instalada para produzir até 1,8 mil toneladas de ureia por dia, volume considerado relevante para o abastecimento do mercado interno, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

A fábrica, localizada em Sergipe, utiliza gás natural como principal insumo para a produção de fertilizantes nitrogenados. A reativação também se apoia na infraestrutura existente no estado, que historicamente teve papel estratégico na cadeia de petróleo, gás e fertilizantes.

Impactos para o agronegócio e a indústria

A ureia é um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no Brasil e responde por parcela significativa dos custos de produção agrícola. Em momentos de instabilidade internacional — como conflitos geopolíticos, restrições comerciais ou oscilações cambiais —, a dependência externa expõe produtores rurais a aumentos abruptos de preços e dificuldades de abastecimento.

Nesse contexto, a volta da produção nacional é vista como um passo importante para reduzir vulnerabilidades, dar previsibilidade ao produtor e fortalecer a indústria química brasileira. Além do agronegócio, setores industriais que utilizam derivados nitrogenados também tendem a ser beneficiados.

Política de fertilizantes e soberania produtiva

A reativação da Fafen Sergipe está alinhada à estratégia do governo federal de reconstruir uma política nacional de fertilizantes, que inclui não apenas a retomada de plantas industriais, mas também investimentos em pesquisa, inovação e diversificação de fornecedores.

Para o Planalto, o retorno da Petrobras ao setor não é apenas uma decisão econômica, mas também estratégica. Garantir fertilizantes a preços competitivos é visto como condição essencial para manter a competitividade do agro brasileiro, responsável por parcela expressiva do PIB, das exportações e do emprego no país.

Com a Fafen Sergipe novamente em operação, o Brasil dá um sinal de mudança de rumo após anos de retração na produção doméstica de fertilizantes. O desafio agora será garantir continuidade operacional, competitividade econômica e integração dessa produção a uma política de longo prazo que reduza, de forma consistente, a dependência externa de insumos fundamentais para a segurança alimentar e o desenvolvimento industrial do país.

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