Operação da Polícia Federal cumpriu mandados em seis estados e aponta que grupo criminoso atuava em diferentes etapas da cadeia da carne bovina para movimentar recursos ilícitos; investigação reforça que a prática não tem relação com a pecuária brasileira formal e regular.
A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande porte para desarticular um grupo criminoso suspeito de utilizar empresas ligadas à cadeia da pecuária bovina para lavar mais de R$ 200 milhões provenientes do tráfico de drogas. A ação ocorreu simultaneamente em seis estados e teve como alvo uma organização que, segundo as investigações, operava desde 2022 utilizando negócios ligados ao setor para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Batizada de Operação Rota do Fim, a ofensiva cumpriu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão no Acre, Rondônia, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Rio Branco (AC).
Como funcionava o suposto esquema
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado possuía ligação com uma facção criminosa do Rio de Janeiro e teria utilizado empresas que atuavam em diferentes segmentos da cadeia produtiva da carne bovina para movimentar recursos ilícitos. Entre os setores citados pela investigação estão fornecimento de insumos, processamento, distribuição, comercialização de produtos e até leilões de gado.
As autoridades acreditam que a estrutura empresarial servia para dar aparência de legalidade aos valores obtidos com o tráfico de drogas, prática conhecida como lavagem de dinheiro.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de uma série de bens ligados aos investigados. Entre eles estão imóveis, veículos, contas bancárias e também rebanhos bovinos supostamente vinculados ao esquema.
Durante o cumprimento dos mandados, três pessoas ainda foram presas em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo, segundo informou a Polícia Federal.
Pecuária brasileira não pode ser confundida com atividades criminosas
Especialistas destacam que casos como este envolvem indivíduos ou grupos específicos que tentam utilizar atividades econômicas legítimas para ocultar recursos ilegais. A investigação não coloca sob suspeita a pecuária brasileira como setor produtivo, mas sim os grupos do crime organizado que se infiltram em todos os setores.
O Brasil possui um dos sistemas de rastreabilidade, fiscalização sanitária e controle tributário mais robustos do mundo para a produção pecuária destinada ao mercado interno e às exportações. A atuação das autoridades, nesses casos, busca justamente impedir que organizações criminosas utilizem empresas formais para mascarar operações ilegais.
Operação segue em andamento
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar todos os envolvidos e dimensionar a extensão da movimentação financeira atribuída ao grupo. Novas medidas judiciais e desdobramentos não estão descartados à medida que os dados apreendidos forem analisados.
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