Com um crescimento de 10% no orçamento, o programa foca-se na redução das taxas de juro para os produtores e o governo adia exigências ambientais do Prodes para o crédito rural
O governo federal está finalizando os detalhes do aguardado Plano Safra, que promete um volume recorde de recursos para impulsionar o agronegócio nacional.
Durante um evento realizado na Associação Comercial de São Paulo nesta terça-feira (2), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, revelou que a meta da gestão é fazer com que o pacote de incentivos alcance a expressiva marca de R$ 550 bilhões. O anúncio oficial da nova edição do programa está agendado para o dia 1º de julho.
Aumento de recursos e juros do novo Plano Safra
O montante projetado de R$ 550 bilhões representa um crescimento de aproximadamente 10% em comparação ao Plano Safra da temporada anterior, que disponibilizou R$ 516 bilhões ao setor produtivo. No entanto, o ministro destacou que a principal preocupação do governo não se resume ao volume financeiro, mas sim em garantir condições viáveis de pagamento.
“O mais importante do que o número é proporcionar uma taxa de juros que caiba no bolso do produtor”, declarou André de Paula. O mercado agrícola mantém a expectativa de que as taxas sejam fixadas na casa de um dígito, um cenário que já havia sido sinalizado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, durante a Agrishow 2026.
Crédito rural sem amarras imediatas ao Prodes
Outro ponto de destaque no encontro foi a confirmação do adiamento da medida do Conselho Monetário Nacional (CMN). A norma atrelava diretamente a concessão de crédito agrícola aos critérios do Programa de Cálculo do Desmatamento da Amazônia (Prodes).
O ministro explicou que a pasta atuou firmemente junto ao governo central para prorrogar a entrada em vigor dessa regra, atendendo a uma demanda urgente das bases produtivas. Segundo ele, a aplicação imediata da norma seria inviável. “Era algo muito danoso para o setor”, avaliou.
Vitórias internacionais fortalecem o Plano Safra e o Agro
O cenário externo também traz boas perspectivas que devem facilitar a execução do Plano Safra. O ministro celebrou o reconhecimento oficial do Brasil como nação livre de febre aftosa pela China. A decisão é um marco para a pecuária nacional, pois endossa a credibilidade sanitária do país perante o mercado global.
Em paralelo, para garantir a segurança na oferta de insumos, o governo brasileiro solicitou à China a ampliação do envio de fertilizantes, enquanto mapeia simultaneamente novos fornecedores internacionais para reduzir a dependência. No mercado interno, a estratégia de longo prazo envolve investimentos pesados em novas fábricas, com a projeção de que o Brasil alcance capacidade para produzir cerca de 35% da ureia consumida nacionalmente.
Resiliência frente às exigências da União Europeia
No encerramento de sua participação, André de Paula foi questionado sobre os impactos das recentes restrições impostas pela União Europeia às exportações do agronegócio brasileiro. O ministro minimizou possíveis turbulências e defendeu a solidez da produção nacional.
“Esse bloqueio não se faz sentir. Essa é uma grande oportunidade de chover no molhado. Nós temos uma defesa agropecuária robusta e de credibilidade. Nós exportamos para mais de 170 países”, enfatizou. O governo atua agora nos bastidores diplomáticos e técnicos para adequar o setor às exigências do bloco, com a expectativa de retomar o fluxo pleno das exportações afetadas até o mês de setembro.
VEJA MAIS:
- Pecuária brasileira viverá seu melhor momento nos próximos 20 anos, afirma especialista
- El Niño forte pode mudar o clima do Brasil; veja as regiões mais afetadas e alerta para a safra 2026/27
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.