Entenda o que diz o padrão racial do Mangalarga Marchador, a diferença entre albinismo verdadeiro e pelagens claras e os motivos técnicos e funcionais que levam à proibição do registro na raça
A pelagem clara sempre despertou curiosidade, debates e até controvérsias dentro da equinocultura. No Mangalarga Marchador, raça marcada pela diversidade de cores e pela funcionalidade da marcha, existe apenas uma condição de pelagem que impede o registro oficial: o albinismo verdadeiro. No entanto, muitos animais claros acabam sendo chamados, de forma equivocada, de “albinos”, quando na realidade pertencem a um grupo genético completamente diferente — os chamados pseudo-albinos, também conhecidos popularmente como gázeos ou pombos.
Segundo o regulamento da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, qualquer indício de albinismo genético real é considerado uma deficiência desclassificante, impedindo o animal de ser registrado no Stud Book da raça. A regra segue um padrão adotado por diversas associações de raças puras no Brasil e no exterior.
O chamado pseudo-albinismo não é albinismo verdadeiro. Trata-se de uma condição genética rara, resultante de dupla diluição de cor, geralmente associada ao gene Creme (Cr), localizado no gene SLC45A2. Essa diluição reduz intensamente a coloração da pelagem, mas não elimina completamente a produção de melanina, como ocorre no albinismo.
No Mangalarga Marchador, esses animais podem aparecer com denominações populares como gázeo, pombo ou simplesmente duplo diluído.
Principais características do pseudo-albino:
- Pelagem: branca ou extremamente clara, muitas vezes descrita como creme muito claro ou “branco sujo”, e não branco puro.
- Pele: clara ou rosada, mas não totalmente despigmentada.
- Olhos: podem ser azuis, castanhos ou âmbar, nunca vermelhos.
- Genética: diluição dupla de uma cor base, sem relação com o gene do albinismo.
- Produção de melanina: existe, porém em níveis muito baixos.
Essas características deixam claro que o pseudo-albino não é um albino, apesar da aparência semelhante.

O albinismo verdadeiro em equinos é extremamente raro e está associado a genes como o W, responsáveis pela ausência total de pigmentação. Nesses casos, o animal apresenta:
- Pelagem completamente branca
- Pele rosa intensa
- Olhos rosados ou avermelhados
- Ausência quase total de melanina
Além de não atender ao padrão racial, albinos verdadeiros costumam apresentar sérios problemas funcionais, como:
- fotossensibilidade severa,
- dificuldades visuais, especialmente sob luz intensa,
- maior risco de lesões de pele e câncer cutâneo,
- e, em alguns casos, baixa viabilidade genética.
Por esses motivos, o albinismo verdadeiro é automaticamente desqualificante para registro no Mangalarga Marchador.
Pelagens como cremelo, palha e outras variações claras aparecem ocasionalmente na raça e são classificadas como resultado de diluições genéticas, não como albinismo. Elas se enquadram no conceito de pseudo-albinismo apenas no sentido visual, jamais genético.
Esses animais:
- não são albinos,
- possuem melanina, ainda que reduzida,
- e podem, dependendo da interpretação técnica e do enquadramento no padrão vigente, ser reconhecidos como diluições, e não como defeitos genéticos.
A distinção vai muito além da estética e impacta diretamente a criação.
Saúde e manejo
Pseudo-albinos são mais resistentes ao sol do que albinos verdadeiros, mas ainda assim exigem manejo cuidadoso, especialmente em regiões tropicais. Animais mantidos soltos o dia todo podem sofrer com queimaduras solares e desconforto ocular.
Registro e planejamento genético
Compreender a base genética das diluições permite ao criador:
- prever o nascimento de animais duplo-diluídos (DD),
- planejar cruzamentos com mais segurança,
- e evitar surpresas indesejadas no plantel.
No Mangalarga Marchador, nem todo cavalo branco é albino. O albinismo verdadeiro, caracterizado pela ausência total de pigmentação e olhos avermelhados, é proibido e impede o registro oficial. Já os chamados pseudo-albinos — gázeos, pombos ou duplo-diluídos — não são albinos, mas sim resultado de diluições genéticas raras, com produção residual de melanina.
A regra reforça o compromisso da raça com funcionalidade, saúde, adaptação ao clima brasileiro e preservação genética, ao mesmo tempo em que evidencia a importância do conhecimento técnico para evitar equívocos que ainda geram confusão no campo e nas pistas.
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