Portos do Paraná movimentam 73,5 milhões de t em 2025, alta de 10% ante 2024

O resultado colocou o complexo paranaense como o de maior crescimento porcentual entre os principais portos brasileiros no período.

São Paulo, 15 – Os Portos do Paraná movimentaram 73,5 milhões de toneladas em 2025, somando exportações e importações, volume 10,1% superior ao registrado em 2024, quando o total foi de 66,7 milhões de toneladas. O resultado colocou o complexo paranaense como o de maior crescimento porcentual entre os principais portos brasileiros no período, segundo dados do Comex Stat divulgados pela autoridade portuária em nota.

Entre os produtos do agronegócio, o milho foi o item com maior variação anual. Os embarques passaram de 1,07 milhão de toneladas em 2024 para 5,09 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 375%. A soja respondeu por 14,6 milhões de toneladas exportadas, alta de 11% na comparação anual. O farelo de soja totalizou 6,5 milhões de toneladas, avanço de 5% em relação ao ano anterior.

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Os óleos vegetais registraram crescimento de 32% na movimentação, mantendo o Porto de Paranaguá como o principal ponto de saída do produto no País, segundo a nota. Celulose e açúcar ensacado também apresentaram aumento de volume, de 16% e 15%, respectivamente. A madeira totalizou 1,6 milhão de toneladas exportadas, variação de 0,24% frente a 2024, com os Estados Unidos entre os principais destinos. A movimentação permaneceu em linha ao longo do ano, apesar da instabilidade gerada no mercado até a confirmação de que o produto ficaria fora das tarifas anunciadas pelo governo norte-americano em abril e agosto.

No fluxo de importações, os fertilizantes lideraram o volume, com 11,61 milhões de toneladas desembarcadas em 2025, crescimento de 4% e novo recorde histórico. Paranaguá e Antonina concentraram mais de 25% do consumo nacional do insumo, conforme informado pela autoridade portuária. O grupo de cereais, que inclui trigo, malte e cevada, também alcançou volume recorde, com 1,10 milhão de toneladas, ante 1,08 milhão de toneladas em 2024.

As cargas conteinerizadas somaram 1,66 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) em 2025, aumento de 7% em relação aos 1,5 milhão de TEUs movimentados no ano anterior. O complexo paranaense concentrou 34% das exportações brasileiras de proteína animal congelada. A carne de frango manteve volume estável, com 2,8 milhões de toneladas embarcadas, mesmo patamar de 2024, após interrupções temporárias de exportações para alguns países em decorrência do foco de gripe aviária registrado no Rio Grande do Sul em maio. A carne bovina somou 1,2 milhão de toneladas exportadas, crescimento de 46,5% na comparação anual.

Segundo o diretor-presidente Luiz Fernando Garcia, o resultado reflete mudanças operacionais e intervenções na infraestrutura portuária. “Não é simplesmente um novo recorde. É uma conquista que reflete em toda a cadeia econômica do nosso Estado”, afirmou. Entre as intervenções citadas pela autoridade portuária estão a conclusão da derrocagem da Pedra da Palangana, no final de 2024, e a execução de dragagens que elevaram o calado operacional para 13,3 metros.

Com o aumento do calado, os navios passaram a embarcar maior volume por escala. Em dezembro, o Porto de Paranaguá registrou o maior embarque de granel vegetal sólido já realizado em um único navio, com 77 mil toneladas de milho, carregadas no MV Minoan Pioneer, segundo o comunicado. A profundidade do canal pode alcançar 15,5 metros após a concessão do canal de acesso, leiloada em outubro, o que permitirá o embarque de até 14 mil toneladas adicionais de granéis vegetais sólidos por embarcação.

A Portos do Paraná informou, ainda, que o Moegão, complexo de recepção ferroviária de cargas, ultrapassou 80% de execução e tem conclusão prevista até fevereiro. O investimento de R$ 650 milhões ampliará a capacidade anual de recepção para até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos. Também estão previstos o Píer em “T”, com primeira fase orçada em R$ 1,2 bilhão, e o Píer em “F”, voltado ao novo Corredor Oeste. Ao todo, os nove leilões realizados desde 2019 garantiram R$ 5,1 bilhões em investimentos privados no complexo portuário.

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