Com prazo terminando nesta sexta-feira (29), milhões de brasileiros ainda não enviaram a declaração; no campo, produtores rurais precisam redobrar a atenção com atividade rural, patrimônio e despesas para evitar erros e cair na malha fina.
A poucos dias do fim do prazo para entrega do Imposto de Renda 2026, milhões de brasileiros ainda não acertaram as contas com a Receita Federal. Segundo dados divulgados nesta semana, cerca de 7,7 milhões de declarações ainda não haviam sido enviadas, acendendo o alerta para contribuintes que deixaram tudo para a última hora — incluindo milhares de produtores rurais, que enfrentam uma realidade mais complexa na hora de preencher a declaração.
O prazo termina nesta sexta-feira, 29 de maio, e quem perder a data ficará sujeito a multa, além de correr risco maior de cair na malha fina. As restituições também começam a ser pagas no mesmo dia do encerramento do prazo de entrega.
Para o produtor rural, porém, a declaração do Imposto de Renda exige atenção redobrada. Diferentemente de trabalhadores assalariados, o homem do campo precisa lidar com informações ligadas à atividade rural, movimentações financeiras da fazenda, financiamentos, venda de produção, compra de insumos, máquinas, rebanhos e até contratos de arrendamento.
A principal dúvida neste momento é: ainda dá tempo de declarar corretamente? Especialistas afirmam que sim — desde que o contribuinte organize os documentos certos e utilize alguns atalhos que agilizam o preenchimento.
Entre as alternativas mais rápidas está a declaração do Imposto de Renda pré-preenchida, disponibilizada pela Receita Federal. A ferramenta já traz informações inseridas automaticamente pelo sistema, como rendimentos bancários, despesas médicas, notas fiscais e dados enviados por empresas e instituições financeiras. Para acessá-la, é necessário ter conta Gov.br nos níveis prata ou ouro.
No caso do produtor rural, no entanto, é importante conferir cuidadosamente os números da atividade rural antes de simplesmente confirmar os dados. Isso porque receitas de comercialização agrícola, financiamentos rurais, CPRs, venda de animais e movimentações da propriedade nem sempre aparecem completas no sistema.
Outro ponto que exige atenção é o Livro Caixa do Produtor Rural, utilizado para registrar receitas, despesas, investimentos e custos da produção. É justamente nele que muitos produtores conseguem reduzir legalmente a base de cálculo do imposto, abatendo despesas ligadas à atividade no campo.
Máquinas agrícolas, aquisição de insumos, combustível, manutenção de equipamentos, salários de funcionários e gastos com lavoura ou pecuária podem entrar nessa conta, desde que estejam devidamente comprovados.
Também há diferenças importantes para quem atua como pessoa física rural. Em muitos casos, produtores que tiveram receita bruta anual acima do limite estabelecido pela Receita são obrigados a entregar o demonstrativo da atividade rural junto da declaração principal.
Outro erro comum no agro acontece na declaração de patrimônio. Terras, benfeitorias, silos, tratores, implementos e rebanhos precisam ser informados corretamente. Alterações no valor da propriedade sem documentação ou incompatibilidade entre renda declarada e evolução patrimonial costumam chamar atenção da Receita Federal.
Para quem ainda não começou, a recomendação é separar imediatamente documentos bancários, notas fiscais de venda da produção, contratos de financiamento, recibos de despesas da atividade rural e informes de rendimentos. Quanto mais organizada estiver a documentação, mais rápido será o preenchimento.
Mesmo na correria dos últimos dias, especialistas alertam que não vale enviar informações incompletas apenas para cumprir prazo. Uma declaração mal feita pode gerar dor de cabeça futura, retenção da restituição e necessidade de retificação.
A Receita Federal também reforça que, em caso de erro, o contribuinte pode corrigir posteriormente por meio de declaração retificadora. Ainda assim, enviar dentro do prazo continua sendo o mais importante para evitar multas automáticas.
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