Preço do bezerro se aproxima de 17,68/kg, maior valor desde 2021; vai subir mais?

Indicadores mostram reposição cada vez mais valorizada, com alta acumulada acima do boi gordo e inflação; poder de compra do pecuarista diminui e eficiência na engorda passa a ser decisiva. Preço do bezerro se aproxima do maior valor desde 2021

O mercado pecuário brasileiro iniciou 2026 sob forte pressão na reposição. O preço do bezerro voltou a operar em patamares historicamente elevados, aproximando-se do pico real registrado em 2021 e reforçando um cenário de valorização que preocupa recriadores e invernistas. Dados recentes apontam que a categoria segue descolada dos demais indicadores econômicos, com tendência de firmeza ao longo do ano.

Na quinta semana de 2026, o preço real do bezerro — corrigido pela inflação e baseado no indicador do Cepea para Mato Grosso do Sul — atingiu R$ 14,88 por quilo, representando alta de 21,66% frente ao mesmo período de 2025. O valor permanece próximo dos extremos históricos, ficando apenas 17% abaixo do pico real de R$ 17,68/kg observado em 2021.

Segundo análise da consultoria Agrifatto, esse comportamento sinaliza que a fase de maior ganho de preços da cria está se aproximando, o que tende a manter a reposição cara no curto prazo.

Relação de troca piora e exige mais eficiência

Com a valorização do bezerro, a relação de troca com o boi gordo perdeu força. Em janeiro de 2026, o indicador recuou 1,11% frente a dezembro, ficando em 2,05 cabeças por cabeça na média nacional. Na prática, isso significa margens mais apertadas para quem depende da compra de animais para engorda.

Para os recriadores e invernistas, o cenário muda o foco da estratégia: o resultado financeiro passa a depender cada vez mais da eficiência produtiva, especialmente no ganho de peso e no manejo da terminação.

Arrobas necessárias disparam e pressionam o pecuarista

Outro indicador reforça a pressão sobre o produtor. Em janeiro de 2026, foram necessárias 9,60 arrobas de boi gordo para comprar um bezerro, o maior nível já registrado para o mês e bem acima da média histórica de 8,18 arrobas entre 2010 e 2026.

O dado evidencia que, mesmo com alguma recuperação do boi gordo no mercado físico, o poder de compra do pecuarista segue comprometido, já que o preço da reposição continua avançando com mais intensidade.

Além disso, o valor médio do bezerro em 2026 foi de R$ 3.078,3 por cabeça, cerca de 16,9% acima da média nominal de janeiro de 2025, enquanto o boi gordo apresentou leve queda anual de 1,2% no mesmo intervalo.

A quantidade de arrobas de boi gordo por bezerro renovou a máxima para um mês de janeiro, em 2026, superando o recorde anterior para o período do ano, de 2021.

Bezerro dispara acima da inflação e do dólar

Uma análise mais ampla mostra que a valorização não é recente. Entre janeiro de 2020 e janeiro de 2026, o preço do bezerro acumulou alta de 93,1%, superando com folga o boi gordo (66,1%) e o próprio indicador de inflação medido pelo IGP-M (56,0%). O dólar subiu apenas 28,54% no período.

Esse descolamento reforça a percepção de que a reposição vive um ciclo próprio de valorização — e com possibilidade de continuidade. O bezerro, inclusive, renovou a máxima histórica para um mês de janeiro em 2026 e deve seguir firme ao longo do ano, impulsionado principalmente pelos patamares recordes de abate de fêmeas registrados nos últimos anos, fator que reduz a oferta futura de animais.

Onde o preço do bezerro está mais caro e mais barato no Brasil

Levantamento recente da Scot Consultoria mostra um mercado de reposição firme em praticamente todas as regiões do país, mas com diferenças relevantes entre as praças. O ranking evidencia como fatores como oferta restrita, qualidade genética e demanda local impactam diretamente o preço do bezerro.

Ranking do bezerro (12 meses, 240 kg) — preço por cabeça

Mais caros do país:

  1. Mato Grosso do Sul (MS)R$ 3.500,28
  2. Pará (PA)R$ 3.225,10
  3. Bahia (BA)R$ 3.110,00
  4. Goiás (GO)R$ 3.275,67 (valor também entre os maiores, refletindo forte demanda)
  5. Tocantins (TO)R$ 3.313,73

Faixa intermediária:

  • São Paulo (SP) — R$ 3.334,08
  • Minas Gerais (MG) — R$ 3.200,07
  • Mato Grosso (MT) — R$ 3.367,53
  • Rondônia (RO) — R$ 3.072,30
  • Rio de Janeiro (RJ) — R$ 3.060,00

Mais baratos do levantamento:

  1. Maranhão (MA)R$ 3.000,00
  2. Acre (AC)R$ 2.593,75
  3. Paraná (PR)R$ 3.264,95 (apesar de não ser o menor, ainda abaixo de polos de cria tradicionais)

O que explica essa diferença?

Os maiores preços tendem a aparecer em regiões com forte presença de recria e engorda, onde a disputa por animais é maior. Já praças com maior oferta relativa ou logística mais desafiadora costumam registrar valores mais contidos.

Outro ponto importante é que estados do Centro-Oeste seguem como referência na formação de preço da reposição, dada a escala produtiva e a integração com sistemas intensivos.

Alta recente supera 15% e contrasta com boi gordo

Nos últimos 12 meses, o movimento ficou ainda mais evidente: enquanto o preço do boi gordo caiu 1,2%, o bezerro subiu 16,9%, mesmo com o IGP-M (-0,9%) e o dólar (-11,3%) em queda.

A expectativa do mercado é que o boi gordo também apresente firmeza ao longo de 2026, com contratos futuros indicando valores próximos de R$ 340 por arroba entre janeiro e maio — um fator que pode amenizar parcialmente a pressão da reposição, mas ainda sem eliminar o desequilíbrio.

Tendência: reposição forte e ciclo pecuário em transição

O conjunto de indicadores sugere que o mercado caminha para uma fase mais favorável à cria dentro do ciclo pecuário. Com oferta mais restrita e demanda aquecida, o bezerro tende a permanecer valorizado — cenário que exige planejamento estratégico do produtor.

Para quem compra reposição, a palavra-chave passa a ser gestão de custos e produtividade. Já para o criador, o momento pode representar uma janela de rentabilidade relevante, desde que alinhada a boas práticas de produção e comercialização.

Em resumo, o bezerro ainda não atingiu o pico histórico, mas está perigosamente próximo — e os fundamentos do mercado indicam que novas altas não podem ser descartadas.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM