Preço futuro do boi tem queda de 14,4% e assusta produtores; O que esperar?

O projeção de preço futuro do boi gordo indica uma redução de 14,4% em relação à média nominal observada em maio de 2023; confira

O mercado físico do boi gordo encerrou o mês de fevereiro com uma tendência de baixa nos preços por arroba, conforme análise de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. O comportamento dos preços da carne bovina, especialmente na segunda quinzena, não demonstrou uma forte reação, contribuindo para essa queda.

Iglesias observa que houve um aumento nas escalas de abate, especialmente com o aumento da oferta de fêmeas na região centro-norte do Brasil. Isso deu às indústrias frigoríficas uma posição favorável para pressionar as compras de gado.

“Também houve um bom avanço das escalas de abate, com o aumento da oferta de fêmeas no centro-norte brasileiro, o que ofereceu às indústrias frigoríficas as condições necessárias para exercerem pressão na compra de gado”, justifica.

Preços por arroba (R$) em comparação a janeiro:

  • São Paulo: 230,00 (queda de 4,17%)
  • Goiás (Goiânia): 218,00 (queda de 5,22%)
  • Minas Gerais: 230,00 (queda de 6,12%)
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): 220,00 (queda de 4,35%)
  • Mato Grosso (Cuiabá): 210,00 (queda de 1,87%)

No mercado atacadista, os preços dos cortes do traseiro do boi permaneceram estáveis em R$ 18 por quilo, enquanto os cortes do dianteiro tiveram uma valorização de 1,59%, atingindo R$ 12,80 por quilo.

No que diz respeito às exportações, em fevereiro, o Brasil registrou um total de US$ 651,346 milhões em receita com a exportação de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada, com uma média diária de US$ 43,423 milhões. A quantidade total exportada foi de 143,478 mil toneladas, com uma média diária de 9,565 mil toneladas, a um preço médio de US$ 4.539,70 por tonelada.

Comparado a fevereiro de 2023, houve um aumento de 27,4% no valor médio diário da exportação, um aumento de 36,2% na quantidade média diária exportada e uma desvalorização de 6,5% no preço médio.

Preços futuros do boi

O preço futuro do boi gordo começou março em ascensão, apesar das preocupações de curto prazo continuarem a exercer pressão sobre as expectativas, segundo a Farmnews. O contrato para maio de 2024 registrou uma queda de 7,2% desde o final de 2023 até a parcial de março de 2024, alcançando o valor de R$226,0 por arroba.

Embora o mercado físico permaneça sob pressão nesta fase do ano, a perspectiva de uma recuperação mais robusta no mercado futuro do boi gordo no curto prazo permanece limitada, considerando o ajuste do contrato para maio de 2024. Desde dezembro de 2023, o preço esperado do boi gordo para o mês tem se mantido abaixo do valor observado no mercado físico, sinalizando uma possível queda no período. O preço projetado, de R$226,0 por arroba, indica uma redução de 14,4% em relação à média nominal observada em maio de 2023.

Fonte: Dados da B3 (adaptado por Farmnews)

O que esperar dos preços do boi?

As perspectivas para o mercado do boi gordo parecem incertas no curto prazo. A queda nos preços no mercado físico, juntamente com a pressão sobre as expectativas de curto prazo no mercado futuro, sugere um cenário desafiador para os produtores e investidores.

A manutenção da pressão no mercado físico, especialmente com o aumento das escalas de abate e a oferta crescente de fêmeas, pode continuar a exercer uma influência negativa sobre os preços da arroba. Além disso, a perspectiva de uma recuperação mais robusta no mercado futuro também parece limitada, apesar de alguns ajustes positivos recentes.

Por outro lado, o aumento nas exportações de carne bovina é um ponto positivo, indicando uma demanda externa saudável pelo produto brasileiro. No entanto, é importante monitorar como essa dinâmica pode impactar o mercado interno e se contribuirá para estabilizar os preços ou mitigar as pressões de baixa.

Medidas para mitigar as consequências

Para mitigar as pressões e enfrentar os desafios apresentados no mercado do boi gordo, algumas medidas podem ser consideradas:

Diversificação de mercados: Os produtores podem buscar diversificar seus mercados-alvo, tanto no mercado interno quanto no externo. Isso pode ajudar a reduzir a dependência de um único mercado e mitigar os impactos de flutuações de preços.

Investimento em tecnologia e eficiência: A adoção de práticas agrícolas modernas e tecnologias avançadas pode aumentar a eficiência na produção de gado, reduzindo os custos e melhorando a competitividade.

Estratégias de gerenciamento de risco: Produtores e investidores podem adotar estratégias de gerenciamento de risco, como o uso de contratos futuros e opções, para proteger os preços contra flutuações adversas no mercado.

Melhoria da qualidade e valor agregado: Investir na melhoria da qualidade da carne bovina produzida e na agregação de valor por meio de certificações de origem, sustentabilidade e bem-estar animal pode aumentar a atratividade do produto e permitir a obtenção de preços premium.

Monitoramento e análise constantes: É essencial que os participantes do mercado monitorem de perto as tendências do mercado, incluindo oferta, demanda e preços, para identificar oportunidades e antecipar potenciais desafios.

Diálogo e parcerias: Estabelecer parcerias sólidas com outros membros da cadeia de suprimentos, como frigoríficos, distribuidores e varejistas, pode ajudar a criar relações mais colaborativas e buscar soluções conjuntas para os desafios enfrentados pelo setor.

Escrito por Compre Rural.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Juliana Freire sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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