Produção de ração animal deve ter aumento de cerca de 4% este ano

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Foto: Divulgação

O Sindirações lembrou que a Rússia era o maior exportador mundial de gás natural e o segundo maior exportador de petróleo

Segundo o Sindirações – Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal – a produção de ração animal aumentará 3,5% em 2022. De acordo com a entidade, o segmento poderia ter se saído melhor se não fosse pela incerteza do mercado que poderia afetar os custos de produção. Por exemplo, o Sindirações destacou a guerra na Ucrânia, que levantou dúvidas sobre a segurança alimentar de vários países em um ritmo não visto desde a Segunda Guerra Mundial.

O CEO do Sindirações, Ariovaldo Zani, avalia: “a amplitude e duração das punições aplicadas à Rússia por invadir a Ucrânia, prejudicarão a dinâmica da economia mundial, dada a volatilidade dos preços, o incremento da inflação e o reduzido crescimento no curto prazo, até a possível debilidade das cadeias globais de suprimento e o enfraquecimento dos mercados financeiros integrados no longo prazo”.

O Sindirações lembrou que a Rússia era o maior exportador mundial de gás natural e o segundo maior exportador de petróleo; depois de se juntar à Ucrânia, respondia por 29% do comércio internacional de trigo e 19% de milho; enquanto sua aliada geopolítica Bielorrússia fornece quase 20% da demanda mundial de potássio. E à medida que o conflito irromper, a logística continuará a representar um desafio preocupante. Tanto a Ucrânia quanto a Rússia embarcam mais de 90% de sua produção de alimentos através dos portos do Mar Negro, e os exportadores russos, além de serem excluídos das companhias de navegação em todo o mundo, também estão sujeitos a sanções internacionais que os impedem de usar sistemas de pagamento. “As consequentes restrições ao comércio podem incentivar um tipo de nacionalismo alimentar e o aumento proibitivo dos preços eclodir novas revoltas, à semelhança da ‘Primavera Árabe’ de 2011”, diz Zani.

Ainda conforme informou o CEO: “o preço do transporte marítimo já se elevou em 70%. A somatória desses fatores negativos já afeta a contabilidade dos custos operacionais em toda da cadeia agropecuária: lavouras de grãos, processamento industrial, importação de aditivos nutricionais, produção das rações, alimentação dos rebanhos, preços no atacado e varejo ao consumidor. De janeiro de 2020 para cá, o milho dobrou de preço, enquanto o farelo de soja já subiu 130%. Ambos são adicionados quantitativamente às rações à taxa média de 70% e 20%, respectivamente”.

A entidade lembrou que o agronegócio brasileiro foi importante no comércio internacional por conta de seus fluxos comerciais, caracterizados por um forte desempenho exportador, sustentado pelo transporte de grãos e outros produtos agrícolas, e cuja produtividade foi garantida pela aplicação de cerca de 40 milhões de toneladas de lavouras. Além de pesticidas, importa fertilizantes (nitrogênio, fósforo e potássio). Também para proteína animal, os recordes de embarques vêm de vantagens competitivas (preço e qualidade) influenciadas pelo custo e disponibilidade de milho, farelo de soja e derivados de trigo utilizados na alimentação de aves, suínos e bovinos.

Zani complementou: “a garantia dessa condição privilegiada requer a maturação de medidas de enfrentamento a qualquer hipotética ameaça, e que a depender dos desdobramentos do conflito, pode ser representada por uma possível aliança político-econômica entre o Leste Europeu e a China. Assim como a Rússia, o Brasil detém grande potencial agrícola e energético e o esforço será ampliar ainda mais a participação no abastecimento externo. Por outro lado, é cada vez mais evidente a necessidade de investimentos em infraestrutura de distribuição para aproveitamento da geração de energia já instalada por aqui”. A produção de ração animal atingirá 85 milhões de toneladas em 2021, um aumento de 4% em relação a 2020.

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