Programas de melhoramento genético não são verdades absolutas

Programas de melhoramento genético não são verdades absolutas

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Foto: Rubens Ferreira / @fotodeboi

Especialista questiona o absolutismo quando o assunto é melhoramento genético bovino, existem muitos outros aspectos que precisam ser avaliados.

José Otávio Lemos – Os programas de melhoramento genético disponíveis no mercado, sem dúvida, não são verdades. São indicativos de alguma(s) possibilidade(s) de acerto(s) quanto ao uso de animais por eles avaliados.

Mas como? Muito simples. Veja o resultado de um animal ao longo de uma trajetória inteira. As variações dos seus índices de avaliação sofrem variações para baixo, e, em menor quantidade, para cima.

Revela-se um animal Top (vários nomes de classificação), ele é bem usado; e depois da vinda da sua progênie vê-se que os filhos não tiveram índices tão bons. Não com culpa imputada só para o lado materno.

Quantos touros foram propagados como um “elitíssimo”, venderam muito sêmen, foram acasalados com milhares de vacas e, nenhum ou poucos filhos referenciados?

Sem contar que os principais programas de avaliação não levam em conta o meio ambiente, fundamental para o desempenho animal. Por isso, aprende-se que o indivíduo é a genética de sua formação (espermatozoide mais óvulo) mais a influência do meio ambiente (desde o útero) e mais a interação genótipo-meio ambiente.

Então, não adianta esperar que um reprodutor ou matriz dará o mesmo tipo de progênie em qualquer ambiente.

As interações genótipo-meio ambiente são determinantes para os resultados produtivos para carne, leite e vários outros produtos de origem animal.

A única espécie que suporta os mais diferentes ambientes do planeta é a humana. Por isso, ela dominou-o ao longo da escala evolutiva. Não nasceu pronta.

O próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do nosso país, que detém os registros genealógicos e outorga delegações para os mesmo, desde o Tratado de Roma, na primeira metade do século passado, tem demonstrado isso.

Hoje, um touro registrado por uma associação e outro com CEIP – Ceritificado Especial de Identificação e Produção, com índices considerados bons, pode ir igualmente para uma Central de Inseminação e ter o sêmen comercializado por lá, mesmo sem ter um certificado de registro emitido por uma Associação de Criadores.

Mas se um criador com animal registrado não o tem também sob controle em programa de melhoramento ou “ceipado” não poderá comercializar o sêmen por alguma central. Mas poderá fazer isso de forma direta com os seus pares.

A nossa legislação e incongruente com relação ao registro e às provas zootécnicas. Ressalto, uma opinião deste que assina estas palavras e que ninguém ainda conseguiu me convencer pelo contrário até hoje.

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Zootecnista José Otávio Lemos, produtor rural, jurado e conselheiro técnico da ABCZ e diretor da JOL Empresa Múltipla Assessoria e Consultoria.