Federarroz avalia que produtores lidam com crédito restrito, custos elevados e cenário cambial desfavorável, o que pode até reduzir área plantada e impactar próxima temporada.
A próxima safra de arroz no Rio Grande do Sul começa a ser desenhada sob um cenário de incertezas e preocupação entre os produtores. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, projeta dificuldades significativas, impulsionadas principalmente pelo acesso restrito ao crédito, juros elevados e pela queda do dólar.
De acordo com o dirigente, o setor deve manter ou até reduzir a área de plantio na próxima temporada. A avaliação considera o aumento do endividamento dos produtores, que já iniciam o novo ciclo com preços considerados baixos. “Apesar de uma recente recuperação nos valores, muitos agricultores têm optado por reter a produção à espera de melhores cotações”, observa.
Outro fator que influencia o mercado é o ritmo lento da colheita atual, o que contribui para uma comercialização mais cautelosa. Nunes destaca que, no início da safra, houve forte volume de exportações, garantindo entrada de recursos sem a necessidade de venda imediata do arroz recém colhido. “Além disso, com a proximidade da colheita da soja, a tendência é que produtores utilizem essa soja para gerar caixa, postergando a venda do arroz na expectativa de preços mais favoráveis”, projeta.
O dirigente ressalta ainda a importância das exportações como estratégia para reduzir os estoques internos e sustentar os preços. Nunes comemora a liberação de R$ 56 milhões por parte do Ministério da Agricultura para apoiar a comercialização do arroz. O valor será destinado à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para viabilizar um edital com uso de mecanismos como Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro).
A indefinição sobre os custos de produção, no entanto, segue como um dos principais pontos de atenção. Nunes destaca que os preços dos fertilizantes permanecem elevados, influenciados pela guerra entre Estados Unidos e Irã e pela valorização de insumos como petróleo e combustíveis.
Esse cenário, de acordo com o dirigente, deve impactar diretamente tanto a área plantada quanto o nível de tecnologia empregado nas lavouras. “A queda do dólar, embora possa aliviar parcialmente os custos de importação de insumos, também tende a reduzir a competitividade das exportações de arroz e soja, pressionando a rentabilidade do produtor. Diante de tudo isso, a próxima safra é ainda uma incógnita, o que exige cautela e acompanhamento atento do mercado ao longo dos próximos meses”, orienta.
Fonte: Federarroz
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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