Quais produtos do agronegócio brasileiro podem sofrer com a crise no Oriente Médio?

Análise da consultoria Datagro revela riscos para exportações de milho e açúcar, enquanto o aumento nos custos de frete e seguros marítimos desafia o agronegócio brasileiro e a crise no Oriente Médio em 2026

A escalada das tensões geopolíticas entre potências como Estados Unidos, Israel e Irã projeta uma sombra de incerteza sobre o comércio global, e o campo brasileiro já sente os reflexos. Embora os combates ocorram a milhares de quilômetros, a interdependência logística e comercial faz com que o agronegócio brasileiro e a crise no Oriente Médio se tornem temas centrais para o planejamento da safra 2025/2026.

Segundo análise técnica da consultoria Datagro, divulgada nesta quarta-feira (25/3), o cenário atual impõe desafios severos, especialmente no que diz respeito ao aumento dos custos de combustíveis, fretes marítimos e seguros.

Os setores mais expostos ao conflito

Dentre as commodities brasileiras, o milho é o que apresenta o maior grau de vulnerabilidade direta. Atualmente, o Oriente Médio absorve cerca de 30% de todo o cereal exportado pelo Brasil. Em 2025, o volume enviado à região atingiu a marca de 12,9 milhões de toneladas, com o Irã consolidado como o principal comprador, detendo 22% desse total.

A Datagro alerta que a continuidade das hostilidades pode forçar o adiamento de compras e interromper fluxos logísticos. “Isso pode causar uma sobreoferta doméstica no segundo semestre, pressionando os preços internos e prejudicando a rentabilidade do produtor”, aponta o relatório. No caso do açúcar, o cenário também é de cautela: o mercado árabe representou 32,1% das exportações brasileiras no primeiro bimestre deste ano, gerando uma receita superior a US$ 2,38 bilhões no acumulado de 2025.

Logística e o agronegócio brasileiro e a crise no Oriente Médio

A preocupação não se restringe apenas ao destino das mercadorias, mas ao custo para fazê-las chegar lá. Para o complexo soja, embora a China continue sendo o principal destino, o impacto é sentido de forma transversal. A consultoria prevê que os efeitos para a soja serão concentrados no encarecimento dos fretes e na elevação da demanda por biocombustíveis, como resposta direta à volatilidade do petróleo.

No setor têxtil, a cotonicultura apresenta uma baixa exposição direta de vendas, mas sofre com os riscos sistêmicos. O petróleo mais caro eleva o custo das fibras sintéticas (poliéster), o que teoricamente beneficia o algodão natural. Entretanto, esse benefício pode ser anulado pelo encarecimento dos prêmios de seguro e dificuldades operacionais em rotas marítimas estratégicas.

Resiliência no suco de laranja e proteínas

Nem todos os segmentos enfrentam o mesmo nível de ameaça. O setor de suco de laranja, onde o Brasil mantém liderança absoluta, apresenta exposição limitada, com apenas 0,16% do volume exportado destinado à região em conflito. Da mesma forma, a carne suína mantém relativa estabilidade comercial, uma vez que o mercado iraniano não possui o mesmo peso que o mercado asiático para esta proteína. No entanto, o “efeito custo” — ração e transporte — permanece como um ponto de atenção para todos os produtores de carnes vermelhas.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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