Levantamento cruza dados de valor de produção do IBGE com análises de mercado para revelar onde o hectare virou “ouro” no Matopiba, a nova fronteira agrícola.
Se até 2023 o Matopiba era visto como uma aposta de alto risco, os dados de 2025/2026 consolidam a região como o novo porto seguro do investidor de terras. Um cruzamento de dados realizado pelo Compre Rural, baseando-se no relatório dos 100 Municípios Mais Ricos do Agronegócio (Ministério da Agricultura/IBGE) e em análises de consultorias como S&P Global Commodity Insights e Scot Consultoria, revela que a valorização na região descolou da média nacional.
Enquanto terras no Sul enfrentam saturação física, o “Quadrilátero da Soja” (MA-TO-PI-BA) atrai capital pela combinação de dois fatores apontados no último relatório da Agrolink: infraestrutura logística do Arco Norte e recordes sucessivos de produtividade.
Confira o ranking dos municípios que lideram essa corrida imobiliária e as fontes que sustentam essa alta:
1. Luís Eduardo Magalhães (BA)
Não é apenas percepção de mercado: os dados do IBGE (PAM 2024) confirmam a cidade como um dos maiores PIBs agrícolas do país.
- A Fonte do Valor: Segundo levantamentos de plataformas de inteligência fundiária como a Reland, a consolidação urbana e a presença massiva de revendas de multinacionais transformaram “LEM” em um hub de serviços, reduzindo drasticamente o custo operacional do produtor.
- O Preço da Terra: É a “Faria Lima” do Matopiba. Imóveis em áreas de aptidão plena e irrigada já operam na faixa de R$ 80.000 a R$ 130.000 por hectare.
- Referência em Sacas: Entre 600 a 1.000+ sacas de soja/ha.
2. São Desidério (BA)
Líder frequente no ranking de Valor Bruto da Produção (VBP) do Ministério da Agricultura, São Desidério é o “peso pesado” da lista.
- A Fonte do Valor: Dados do IBGE apontam que o município gerou mais de R$ 7,8 bilhões em riqueza agrícola na última safra. Essa liquidez no bolso do produtor inflaciona o preço local, especialmente em áreas aptas para o algodão — a cultura mais rentável do portfólio nacional.
- O Preço da Terra: A disputa por áreas consolidadas coloca o município no mesmo patamar de LEM. Os negócios giram entre R$ 75.000 a R$ 120.000 por hectare, dependendo da altitude e do regime de chuvas.
- Referência em Sacas: Entre 550 a 950 sacas de soja/ha.
3. Balsas (MA)
Relatórios da Conab destacam o Maranhão como o estado que mais cresceu em exportação via Porto do Itaqui.
- A Fonte do Valor: A eficiência logística “dá o preço” da terra. Com o frete mais barato para exportar para a China (via Canal do Panamá), a margem líquida do produtor de Balsas aumentou, garantindo liquidez aos imóveis rurais mesmo em anos de mercado travado.
- O Preço da Terra: Mercado maduro e líquido. Terras consolidadas próximas ao asfalto variam de R$ 40.000 a R$ 75.000 por hectare.
- Referência em Sacas: Entre 350 a 600 sacas de soja/ha.
4. Uruçuí (PI)
O Piauí deixou de ser o “primo pobre” do Matopiba. Dados da Aprosoja Piauí mostram médias de produtividade em Uruçuí superando regiões tradicionais do Paraná.
- A Fonte do Valor: O VTN (Valor da Terra Nua) da Receita Federal já indicava reajuste, mas o mercado real opera muito acima, impulsionado pela migração de gaúchos e paranaenses que buscam replicar os altos índices de colheita da Serra Grande.
- O Preço da Terra: Em franca ascensão devido à alta tecnologia aplicada. Os valores oscilam entre R$ 30.000 a R$ 60.000 por hectare.
- Referência em Sacas: Entre 250 a 500 sacas de soja/ha.
5. Baixa Grande do Ribeiro (PI)
Citado no ranking do MAPA como o 22º município mais rico do agro brasileiro, Baixa Grande é o destino do capital de expansão.
- A Fonte do Valor: O efeito “transbordamento”. A saturação de áreas em Uruçuí empurrou a demanda para Baixa Grande, gerando uma valorização de dois dígitos percentuais no último ano.
- O Preço da Terra: Oferece maior potencial de valorização futura (upside) do que Uruçuí. Negócios ocorrem na faixa de R$ 25.000 a R$ 55.000 por hectare, precificando a chegada de infraestrutura.
- Referência em Sacas: Entre 200 a 450 sacas de soja/ha.
6. Campos Lindos (TO)
Relatórios do Itertins mostram avanço significativo na regularização fundiária, historicamente o maior gargalo do estado.
- A Fonte do Valor: Com títulos definitivos em mãos, a região entrou no radar de Fiagros e fundos listados na B3, que exigem 100% de compliance ambiental e legal, elevando o preço do ativo.
- O Preço da Terra: Historicamente descontada pela logística e documentação, agora recupera preço. Valores estimados entre R$ 25.000 a R$ 45.000 por hectare.
- Referência em Sacas: Entre 200 a 400 sacas de soja/ha.
7. Tasso Fragoso (MA)
Com um Valor de Produção de R$ 1,8 bilhão (IBGE), Tasso Fragoso atrai quem precisa de escala industrial.
- A Fonte do Valor: Oferta e demanda por tamanho. Corretoras de “Large Farm Investment” indicam Tasso Fragoso como um dos poucos lugares onde ainda se montam projetos contínuos acima de 20 mil hectares.
- O Preço da Terra: O valor unitário é menor devido ao volume da compra (atacado). As terras variam de R$ 20.000 a R$ 40.000 por hectare.
- Referência em Sacas: Entre 180 a 350 sacas de soja/ha.
8. Porto Nacional (TO)
A valorização aqui é pautada pela Ferrovia Norte-Sul e pela integração lavoura-pecuária.
- A Fonte do Valor: Estudos da CNA mostram que a proximidade com terminais ferroviários valoriza a terra num raio de até 100km. Porto Nacional é o epicentro dessa vantagem competitiva no Tocantins.
- O Preço da Terra: Sofre ágio logístico forte. Áreas próximas ao terminal ferroviário são negociadas entre R$ 30.000 a R$ 55.000 por hectare.
- Referência em Sacas: Entre 250 a 450 sacas de soja/ha.
O Veredito do Mercado para 2026
A análise cruzada das fontes confirma: a “bolha” não estourou no Matopiba porque ela é sustentada por produção real e soja no navio. Como aponta a S&P Global, em um cenário de margens apertadas, vence quem tem logística e escala — exatamente o que esses 8 municípios oferecem.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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