Recuperação judicial bate recorde no Brasil e pode crescer ainda mais em 2026

Com 2.466 empresas em reestruturação em 2025, especialistas veem a recuperação judicial como ferramenta estratégica para preservar negócios, empregos e cadeias produtivas

O Brasil registrou em 2025 o maior número de empresas em recuperação judicial da série histórica da Serasa Experian. Ao todo, 2.466 empresas estiveram envolvidas em processos de reestruturação, em um cenário marcado por juros elevados, crédito restrito e maior pressão sobre o caixa das companhias.

O movimento atingiu diferentes setores da economia, com destaque para serviços, comércio, indústria e agronegócio. No campo, os pedidos cresceram de forma expressiva, reflexo do aumento dos custos de produção, oscilações climáticas, endividamento e maior dificuldade de acesso a crédito.

Grandes marcas conhecidas do público também passaram por processos de reorganização nos últimos anos, como Americanas, Oi, Gol, Polishop, Tok&Stok, 123 Milhas, Subway, Starbucks no Brasil e Casa do Pão de Queijo, reforçando que a recuperação judicial se tornou uma ferramenta usada por empresas de diferentes portes e setores.

Antonio Frange Junior - Frange Advogados - escritorio de sao paulo
Foto: Divulgação

Para Antonio Frange Junior, do escritório Frange Advogados, o avanço dos números mostra uma mudança importante na forma como o mercado enxerga o instrumento.

“A recuperação judicial é uma ferramenta moderna, técnica e estratégica. Ela permite que empresas viáveis reorganizem dívidas, preservem empregos e mantenham suas operações com segurança jurídica e planejamento”, afirma.

Especialistas avaliam que o número pode ser ainda maior em 2026, caso o ambiente de juros altos, crédito seletivo e pressão financeira sobre empresas permaneça. A expectativa é que mais companhias busquem a recuperação judicial de forma planejada, antes que os problemas comprometam a continuidade do negócio.

Segundo Frange Junior, agir no momento certo é decisivo.

“Quanto mais cedo a empresa identifica seus desafios e estrutura um plano sério de reorganização, maiores são as chances de preservar valor, proteger fornecedores e garantir a continuidade da atividade econômica”, destaca.

O recorde de 2025 consolida a recuperação judicial como um dos principais instrumentos de reestruturação empresarial no país. Mais do que uma medida emergencial, o mecanismo passou a ser visto como uma solução estratégica para empresas que buscam atravessar períodos de instabilidade e retomar o crescimento de forma sustentável.

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