Segundo Dr. Marco Paiva, especialista em Direito do Agronegócio, renegociar direto com o banco vai muito além de esticar prazos — é uma mudança que pode redefinir todo o contrato e os direitos do produtor.
Em meio a um cenário de margens apertadas, preços pressionados e custos elevados, muitos produtores rurais têm buscado a renegociação direta com os bancos como saída imediata para atravessar o aperto financeiro. O que parece solução rápida, porém, pode esconder riscos silenciosos que comprometem não apenas a safra atual, mas o futuro da atividade.
Para o advogado especialista em direito do agronegócio, Dr. Marco Paiva, o produtor precisa entender que renegociar não é apenas “ganhar prazo”. “Na prática, a renegociação feita diretamente com o banco quase sempre altera profundamente a relação jurídica do contrato original”, afirma.
⚠️ O ponto que poucos produtores percebem: o contrato muda de natureza
Segundo Dr. Marco Paiva, um dos maiores riscos da renegociação bancária está na mudança da natureza jurídica da dívida. “O produtor sai de um contrato de crédito rural, com regras próprias e proteções legais, e entra em um novo instrumento, muitas vezes mais rígido, com menos salvaguardas”, explica.
Essa mudança pode significar a perda de benefícios previstos no Manual de Crédito Rural, além da aplicação de condições mais severas em caso de inadimplência. “O produtor acha que está apenas ajustando parcelas, mas na verdade está assinando um novo contrato, com outra lógica jurídica”, alerta.
🏦 Mais prazo, mais juros e mais garantias
Outro ponto recorrente nas renegociações diretas é o aumento do custo total da dívida.
Dr. Marco destaca que prazos mais longos quase sempre vêm acompanhados de juros maiores, encargos adicionais e exigência de novas garantias.
“O banco busca segurança. Para isso, pede reforço patrimonial, amplia garantias e encurta a margem de erro do produtor”, afirma. Na prática, isso pode envolver penhora de máquinas, imóveis rurais ou até novas amarras contratuais que limitam decisões futuras.
📅 Quando o contrato ignora a lógica da safra
Dr. Marco Paiva também chama atenção para renegociações que não respeitam o ciclo produtivo. “O calendário do banco não é o calendário do campo. Quando o contrato não conversa com a realidade da safra, o risco de descasamento financeiro aumenta muito”, explica.
Com isso, o produtor passa a administrar a fazenda sob pressão constante, priorizando pagamento de dívida em vez de eficiência produtiva.
⚖️ Renegociar direto com o banco e sem estratégia pode comprometer várias safras
Para o especialista, o maior erro é tratar a renegociação como solução definitiva sem análise técnica.
“Muitas vezes, o produtor resolve o problema do agora, mas cria um passivo que compromete duas ou três safras à frente”, diz Dr. Marco Paiva.
Ele reforça que renegociar dívida rural exige leitura jurídica, entendimento financeiro e estratégia.
“Não é favor do banco. É uma decisão que precisa ser tomada com consciência, porque muda o jogo”, conclui.
📌 O alerta final ao produtor rural
Renegociação direta com o banco não é automaticamente ruim, mas pode se tornar extremamente perigosa quando feita sem orientação técnica. Entender o que muda no contrato, quais direitos são preservados e quais riscos são assumidos é o que separa a reorganização financeira do endividamento prolongado.
“Direito não se pede. Direito se exerce, com firmeza e dentro da legalidade.” — Dr. Marco Paiva
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