Oferta cada vez mais curta, reflexo direto do forte abate de fêmeas nos últimos anos, pressiona a reposição e muda o jogo para pecuaristas em todo o país. Confira onde o preço do bezerro mais subiu em 2025; o que esperar?
O mercado de reposição viveu um dos movimentos mais emblemáticos da pecuária brasileira em 2025. A sensação de que “o bezerro sumiu” deixou de ser apenas discurso de curral e se transformou em dado concreto: os preços subiram em praticamente todo o Brasil, com algumas regiões registrando altas expressivas e inéditas. O pano de fundo desse cenário é claro — menos fêmeas no campo hoje significa menos bezerros disponíveis amanhã.
De acordo com levantamento da Scot Consultoria, o preço nominal do bezerro de desmama no Brasil avançou, em média, 14,3% em 2025, considerando as principais praças pecuárias monitoradas . Em alguns estados, no entanto, a valorização foi muito além dessa média, redesenhando o mapa da reposição no país.
Tocantins lidera a alta percentual em 2025
Entre todas as regiões acompanhadas, o Tocantins foi o estado onde o preço do bezerro mais subiu em termos percentuais em 2025. A valorização anual chegou a 26,5%, salto que chama atenção mesmo em um ano de alta generalizada .
Esse avanço reflete uma combinação de fatores: base de preços mais baixa em 2024, redução da oferta local e maior disputa por animais de reposição, especialmente em sistemas que buscam recompor plantel ou intensificar a produção.
Outros estados também registraram altas expressivas, reforçando o caráter nacional do movimento:
- Pará: +26,1%
- Rondônia: +22,6%
- Maranhão: +22,1%
- Paraná: +20,7%
- Acre: +18,0%
- Mato Grosso do Sul: +17,8%
Esses números mostram que a escassez de bezerros não é localizada, mas sim um fenômeno estrutural do ciclo pecuário atual.
Onde preço do bezerro mais subiu em 2025, em valor absoluto
Apesar de o Tocantins liderar em valorização percentual, não foi lá que o bezerro atingiu os maiores preços nominais do país. Em 2025, os valores mais elevados foram observados em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, onde, em determinados momentos do ano, o preço da cabeça superou a marca de R$ 3 mil .
Em dezembro de 2025, os preços médios nominais do bezerro de desmama foram:
- Mato Grosso do Sul: R$ 3.056,54
- Mato Grosso: R$ 2.925,43
- Paraná: R$ 2.901,07
- São Paulo: R$ 2.890,99
- Santa Catarina: R$ 2.853,88
- Tocantins: R$ 2.844,77
Os dados reforçam que a disputa por reposição é ainda mais intensa em regiões com pecuária tecnificada e forte demanda por animais jovens, elevando o teto dos preços.
A raiz do problema: abate de fêmeas desde 2022
O principal motor desse movimento está no histórico recente da pecuária brasileira. Desde 2022, o abate de fêmeas vem crescendo de forma consistente, reduzindo a capacidade de reposição do rebanho nacional .
O efeito é conhecido, mas implacável:
- Menos matrizes hoje
- Menos nascimentos nos anos seguintes
- Oferta restrita de bezerros exatamente no momento em que o ciclo começa a virar
Em 2025, chegaram ao mercado os bezerros oriundos da estação de monta de 2023, quando o descarte de fêmeas já era elevado. Desde então, essa participação aumentou ainda mais, o que ajuda a explicar por que a reposição ficou curta tão rapidamente.
Gráfico 1. Participação (%) de fêmeas no abate de bovinos no Brasil.

Preço real mostra que a alta pode estar só começando
Quando o preço do bezerro é analisado em termos reais — deflacionado pelo IGP-DI — o movimento ganha ainda mais peso. Em 2025, o valor real médio do bezerro de desmama subiu 28,8%, alcançando R$ 2.431,65 por cabeça, após dois anos consecutivos de retração .
Para efeito de comparação, no último grande ciclo de retenção de matrizes, após o forte descarte entre 2019 e 2021, o preço real do bezerro acumulou alta de 59,2%. Ou seja, historicamente, a fase de valorização costuma se estender por mais de um ano.
O que esperar do mercado de reposição em 2026?
A leitura dos dados indica que a reposição deve seguir firme em 2026. A expectativa da Scot Consultoria é de manutenção dos preços em patamares elevados, sustentados pela menor oferta de bezerros e pela dificuldade de recomposição rápida do rebanho nacional .
Embora seja prudente evitar projeções de altas explosivas — afinal, “raio não cai duas vezes no mesmo lugar” —, acreditar em preços firmes e mercado disputado não é exagero, mas sim uma leitura coerente do ciclo atual.
Para o pecuarista, o recado é claro:
- Quem precisa de reposição, precisa planejar
- Quem tem bezerro, tem poder de barganha
- E quem ignora o ciclo corre o risco de comprar caro ou vender barato
Em 2025, o bezerro não apenas valorizou. Ele virou protagonista do mercado pecuário brasileiro.
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