Alta do preço do bezerro, oferta restrita e aumento do abate de fêmeas colocam a reposição no centro do ciclo pecuário em 2026; Bezerro valorizado expõe custo de quem vendeu fêmea cedo demais
Analistas de mercado e consultorias do setor pecuário começam 2026 com uma perspectiva consistente: este será o ano da reposição. A conclusão vem da combinação de fatores como o expressivo aumento no abate de fêmeas nos últimos anos — que reduz a oferta de animais jovens para repor o rebanho — e os sinais claros de que os preços de bezerros e terneiros atingiram patamares robustos, refletindo a necessidade de recompor efetivamente a base de matrizes nas fazendas brasileiras.
Essa visão não surge apenas de expectativas, mas de dados concretos de mercado que apontam para um ciclo de reposição mais firme e prolongado do que em anos anteriores.
Dados recentes mostram que o preço do bezerro iniciou 2026 acima dos níveis de igual período de 2025, acumulando o quarto mês consecutivo de alta. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o valor médio do bezerro de desmama ficou em cerca de R$ 3.068 por cabeça, o que representa um aumento nominal de 16,5% na comparação com janeiro de 2025 — um indicador claro da firmeza do mercado de reposição.
Esse movimento de valorização não é isolado: a pressão vem, em grande parte, da redução de oferta de bezerros após anos em que o abate de fêmeas bateu recordes. Com menos vacas produzindo descendentes, a oferta de animais jovens diminuiu, sustentando os preços e formando um cenário favorável para quem precisa comprar reposição.
2025 consolidou tendência
Relatórios da Scot Consultoria mapeiam o desempenho do preço do bezerro ao longo de 2025 e indicam que, apesar de haver variações regionais, o valor médio no país subiu 14,3% em termos nominais ao longo do ano. Estados como Tocantins registraram as maiores altas percentuais, enquanto Mato Grosso do Sul e Mato Grosso chegaram a preços médios nominais que, em certos momentos, ultrapassaram R$ 3.000 por cabeça.
A expectativa para 2026, segundo a mesma base de dados, é que o mercado de reposição continue firme, sustentado pela menor oferta de bezerras e bezerros e uma procura que não tende a recuar no curto prazo.

Pecuária de cria ganha protagonismo
Em paralelo à dinâmica do mercado de reposição, análises especializadas apontam que a pecuária de cria deverá liderar a rentabilidade no setor em 2026. Consultorias como o Serviço de Inteligência em Agronegócio (SIA) destacam que o ambiente de preços elevado para bezerros e a demanda aquecida por animais jovens formam um conjunto de estímulos favoráveis ao sistema de cria — aquele que concentra esforços em gerar animais novos e de qualidade genética para o restante da cadeia.
Na prática, alguns leilões de bezerros registraram preços que ultrapassaram R$ 3,5 mil por cabeça, e cotações chegaram a patamares entre R$ 18 e R$ 19 por quilo em determinados lotes — números que sinalizam forte procura e valorização da reposição, evidenciando o potencial de retorno do sistema de cria.
Segundo esses analistas, a junção de preços robustos no mercado de bezerros, menor oferta de animais jovens e crescimento da demanda por reposição posiciona a cria como o modelo de negócio com maior potencial de retorno em 2026 dentro da pecuária de corte.
Ciclo pecuário se fortalece
Com a reposição em alta e a cria ganhando importância estratégica, os pecuaristas e gestores de fazendas enfrentam um cenário em que o planejamento de longo prazo e o foco em eficiência produtiva tornam-se determinantes. A pecuária de cria opera em ciclos mais longos, exigindo disciplina de manejo, genética adequada e foco em produtividade interna para que a valorização de mercado se traduza em resultados financeiros reais.
Essa dinâmica também reforça a noção de que a recomposição do rebanho de fêmeas — que sofreu erosões nos últimos anos devido ao abate mais intenso — será um movimento estrutural importante. Produtores que retomarem investimentos em matrizes, alinhando manejo reprodutivo e qualidade genética, estarão melhor posicionados para aproveitar a recuperação do ciclo pecuário.
Quem apostou na reposição pode colher frutos em 2026
Em síntese, os sinais de mercado convergem para um cenário positivo para a reposição e para a pecuária de cria em 2026. O aumento consistente dos preços do bezerro, a expectativa de continuidade dessa valorização e as projeções de rentabilidade elevam a importância de estratégias bem planejadas de recomposição de rebanho.
Para aqueles pecuaristas que optaram por melhorar e ampliar o número de matrizes em suas fazendas, as perspectivas apontam para frutos bem gordos — tanto em termos de valor de mercado quanto de sustentabilidade do negócio no longo prazo.
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