Com a redução gradual na oferta de fêmeas para abate e a consolidação da retenção de matrizes, o mercado do boi gordo em Mato Grosso se prepara para uma fase de recuperação de preços e margens.
O cenário do mercado pecuário em Mato Grosso está em transformação. Após três anos consecutivos de abate intenso de matrizes, o estado começa a dar sinais de um movimento estratégico: a retenção de fêmeas. Essa decisão, segundo o Instituto mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), combinada com a menor participação de fêmeas nas indústrias, projeta um aumento nos preços do boi gordo para 2025, marcando o início de uma nova fase do ciclo pecuário.
O impacto da retenção de fêmeas
A redução do abate de matrizes provoca mudanças significativas na oferta de bezerros e animais jovens para reposição. Com a oferta restrita, os preços da reposição tendem a subir, beneficiando diretamente a margem da cria. A maior atratividade da operação de cria, por sua vez, estimula o movimento de retenção de fêmeas, consolidando o início da fase de alta do ciclo pecuário.
Esse cenário não apenas impulsiona os preços do boi gordo, mas também pode resultar em um leve recuo nos abates totais do estado em 2025, que atualmente operam em níveis recordes. A combinação de oferta controlada e demanda aquecida cria o ambiente ideal para a valorização da arroba.
Demanda externa mantém força
Sob a ótica da demanda, as exportações da proteína bovina brasileira continuam fortalecidas, especialmente para mercados do Oriente Médio. Adicionalmente, a redução na produção de carne bovina nos Estados Unidos representa uma oportunidade para o Brasil expandir ainda mais sua presença no mercado global.
Mato Grosso, líder nacional em exportações de carne bovina, viu resultados impressionantes em 2024. O estado já exportou 700,52 mil toneladas equivalentes de carcaça (TEC) nos primeiros 11 meses do ano, representando um aumento de 15,72% em relação ao recorde anterior, de 2022. Esse crescimento é sustentado por uma demanda interna e externa aquecida, que elevou o preço médio anual da arroba para R$ 229,26.
Recorde no abate e alta nos preços
Mato Grosso deve fechar 2024 com um abate superior a 7 milhões de cabeças, um número expressivo que reflete a alta oferta de animais no estado. A média mensal de 620 mil cabeças abatidas demonstra a robustez do setor, que, mesmo em um período de transição do ciclo pecuário, conseguiu manter a estabilidade dos preços no primeiro semestre.
No entanto, o segundo semestre trouxe uma reviravolta. A partir de agosto de 2024, o indicador do boi gordo registrou um salto significativo, com uma alta acumulada de R$ 115,86/@ em apenas quatro meses, alcançando o valor recorde de R$ 325,27/@ no final de novembro. Esse foi o maior patamar registrado na série histórica do Instituto responsável pelo monitoramento do setor.

Perspectivas para 2025
Com a redução gradual na oferta de fêmeas para abate e a consolidação da retenção de matrizes, o mercado do boi gordo em Mato Grosso se prepara para uma fase de recuperação de preços e margens. A menor oferta de animais para reposição deve continuar pressionando os valores da arroba, enquanto as exportações seguem desempenhando papel crucial para o escoamento da produção.
Esse contexto reforça a importância de Mato Grosso como protagonista no mercado pecuário brasileiro, não apenas em volume, mas também na capacidade de adaptação às dinâmicas do ciclo pecuário e demandas globais. Os pecuaristas do estado já vislumbram um 2025 promissor, marcado pela valorização do setor e pela recuperação das margens de lucro.
Essa tendência indica que os próximos anos serão decisivos para a cadeia produtiva da carne bovina, com desafios e oportunidades para o crescimento sustentável do setor.
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