Com a valorização da reposição e o choque de oferta global, o pecuarista enfrenta o desafio de equilibrar a retenção de matrizes com a eficiência de caixa para não comprometer as margens no novo ciclo
A pecuária de corte brasileira atravessa uma transição estrutural que desafia as planilhas mais otimistas. No epicentro dessa mudança está uma decisão binária, mas complexa: reter ou vender fêmeas?
O que antes era guiado pelo instinto do “olho do dono”, hoje é definido por algoritmos de mercado e análise de dados. A estratégia de fêmeas para 2026 não é apenas sobre o tamanho do rebanho, mas sobre a liquidez e o ROI por hectare em um cenário de custos operacionais pressionados.
O Choque de Oferta Global: Por que o Mundo Olha para o Brasil?
Diferente de ciclos anteriores, o cenário atual é influenciado por uma conjuntura global atípica. Enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reporta o menor rebanho bovino americano em seis décadas devido a fatores climáticos e altos custos de insumos, o Brasil se posiciona como o grande provedor global. Segundo análises da McKinsey, a demanda asiática, especialmente da China e Indonésia, por proteína bovina deve crescer 4,2% ao ano até 2027.
Neste contexto, a estratégia de fêmeas brasileira torna-se um ativo geopolítico. A retenção que observamos agora é a resposta direta à valorização do bezerro, que já registra altas consistentes. Contudo, a The Economist alerta: a eficiência não é mais opcional. O pecuarista que retém fêmeas de baixa conversão alimentar está, na prática, “queimando caixa” disfarçado de patrimônio.
Causa, Efeito e o Risco Invisível
A lógica do ciclo pecuário é implacável. Quando o preço do bezerro sobe, a retenção aumenta; a oferta de fêmeas para abate cai, o que pressiona o preço da arroba para cima. No entanto, o MIT Tech Review destaca que a “pecuária de precisão” mudou as regras do jogo. Em 2026, a estratégia de fêmeas vencedora utiliza dados para identificar quais matrizes entregam um desmame acima de 180kg.
O Perigo da “Retenção Emocional”
Estatisticamente, propriedades que retêm matrizes sem critérios zootécnicos rigorosos apresentam uma queda de até 12% na margem líquida no médio prazo. O erro reside em ignorar o custo de oportunidade. Segundo dados da Forbes Agro, o custo de manutenção de uma vaca improdutiva em 2026 subiu consideravelmente devido à inflação de suplementos minerais e defensivos para pastagens.
“No ciclo pecuário 2026, a diferença entre o topo da pirâmide de lucro e o prejuízo será a capacidade de descartar o passado para investir no futuro.”
Balizador do Sucesso
Para consolidar uma estratégia de fêmeas eficiente, observe os indicadores-chave de 2024 a 2026:
| Indicador | Impacto na Estratégia | Projeção 2026 |
| Preço do Bezerro | Estímulo à retenção | Alta de 18% (acumulada) |
| Custo de Insumos | Pressiona o descarte | Estabilização em patamar alto |
| Exportações (Carne) | Sustenta o preço da arroba | Recorde de volume (SECEX) |
| Taxa de Juros (Selic) | Eleva o custo do carrego de rebanho | Manutenção em 10.5% a 11% |
A Sustentabilidade como Filtro
Há uma controvérsia crescente no meio acadêmico, citada em estudos da Nature, sobre a “retenção a qualquer custo”. Críticos argumentam que a expansão horizontal do rebanho sem melhoria genética aumenta a emissão de metano por quilo de carne produzida. Portanto, a estratégia de fêmeas moderna exige que a retenção seja acompanhada de IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) e genômica, garantindo que o “estoque” vivo seja de alta performance.
O Veredito para o Produtor
A decisão de reter ou vender fêmeas em 2026 deve ser pautada pela capacidade de suporte da fazenda e pelo fluxo de caixa. Se a propriedade possui tecnologia e pastagem degradada em recuperação, a retenção é o caminho para colher os frutos da escassez de 2027. Se o caixa está apertado e a genética é mediana, o abate estratégico para capitalização pode ser a jogada mais inteligente.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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