Retrospectiva analisa os impactos da Reforma Tributária, do governo Trump e do Plano Safra 2025/26 na economia do agronegócio brasileiro
O ano de 2025 ficará marcado na história como um período de transição crítica e vitórias estratégicas para o campo brasileiro. Entre recordes de produtividade, guerras comerciais globais e batalhas legislativas internas, os destaques do agronegócio na política mostram um setor que precisou de “sangue frio” para navegar na volatilidade. Se 2024 foi o ano do clima, 2025 consolidou-se como o ano da geopolítica e da articulação de bastidores.
Abaixo, analisamos os cinco pilares que definiram os últimos 12 meses, incluindo o impacto direto das decisões de Washington e Bruxelas na fazenda brasileira. Siga a leitura e acompanhe o Compre Rural, aqui você encontra informação de qualidade para fortalecer o campo!
Reforma tributária
Um dos maiores temores no início do ano era a regulamentação da Emenda Constitucional 132. O saldo, porém, foi positivo com a sanção da Lei Complementar nº 214/2025 em janeiro.
A articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) garantiu que 22 produtos essenciais da alimentação fossem totalmente isentos do novo IVA, protegendo a segurança alimentar. Além disso, a redução de 60% na alíquota para insumos agropecuários foi uma trava essencial para evitar a explosão dos custos de produção a partir de 2026, quando começa a transição tributária de fato.
O “Tarifaço” de Trump e a disparada do Dólar
No cenário internacional, um dos maiores destaques do agronegócio na política foi o retorno do protecionismo norte-americano. A imposição de novas tarifas globais pelo governo Donald Trump gerou um efeito cascata imediato: a valorização agressiva do dólar frente ao real.
Para o produtor brasileiro, o efeito foi duplo. Por um lado, a receita em reais das exportações de soja e milho saltou. Por outro, o “Tarifaço” encareceu a importação de máquinas e fertilizantes, exigindo uma gestão de travamento de custos (hedge) profissional. A tensão renovada entre EUA e China também voltou a favorecer o Brasil como parceiro comercial preferencial dos asiáticos.
Plano Safra e a “guerra” pelo Seguro Rural
Lançado em julho, o Plano Safra 2025/26 ultrapassou a barreira de meio trilhão de reais (R$ 516,2 bilhões), mas o volume não escondeu o maior atrito político do ano: o Seguro Rural.
Enquanto o crédito para custeio fluiu, a subvenção ao prêmio do seguro (PSR) foi alvo de disputas intensas entre o Ministério da Agricultura e a equipe econômica. Com o clima instável, a insuficiência de recursos para blindar as lavouras gerou críticas severas das entidades de classe, tornando-se um ponto de tensão constante em Brasília, apesar do destaque positivo para o crédito recorde ao Pronaf (Agricultura Familiar).
A reviravolta da EUDR na Europa
A vitória política mais celebrada do ano ocorreu na “prorrogação do segundo tempo”. Na última semana de novembro, o Parlamento Europeu aprovou o adiamento da Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR).
A legislação, que entraria em vigor agora, foi postergada para dezembro de 2026. Essa decisão foi fruto de intensa pressão diplomática brasileira, expondo que a lei excluiria pequenos produtores. O adiamento oferece ao Brasil um ano precioso para aprimorar seus sistemas de rastreabilidade e consolidar sua posição entre os destaques do agronegócio na política internacional.
Bioinsumos: A corrida contra o relógio
O ano termina com os olhos voltados para o Congresso. O Marco Legal dos Bioinsumos (PL 658/2021) protagonizou debates intensos para garantir a segurança jurídica da produção on farm (dentro da fazenda).
Com o prazo de regulamentação expirando neste mês de dezembro, o setor luta para manter a autonomia no uso de biológicos, vistos como a chave para reduzir a dependência de químicos importados. A sanção deste projeto é aguardada como o ato final do ano político.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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