Obra de integração continental liga o Atlântico ao Pacífico, encurta o caminho ao mercado asiático e reposiciona Brasil, Paraguai, Argentina e Chile no mapa do comércio global.
A América do Sul vive um dos momentos mais decisivos de sua história logística. O chamado “Canal do Panamá Terrestre” — nome popular do Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio — deixa de ser projeto para se consolidar como a maior obra de integração física e econômica do continente. Ao ligar o Oceano Atlântico ao Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, o corredor encurta distâncias, reduz custos e reposiciona a região no comércio global, especialmente com o mercado asiático.
Ao final de 2025, o cenário é de transformação concreta. A Ponte Internacional entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), com quase 1.300 metros de extensão, já alcança cerca de 80% de execução.
A obra, erguida em condições extremas — entre o Pantanal sul-mato-grossense e o Chaco paraguaio — simboliza um novo eixo de desenvolvimento continental. No Brasil, os acessos à ponte avançam com investimentos superiores a R$ 470 milhões, enquanto o Paraguai acelera a pavimentação de rodovias estratégicas e Argentina e Chile preparam estradas e portos para o fluxo logístico que se aproxima.
Mais do que infraestrutura, o corredor representa uma mudança geopolítica. Ao oferecer uma rota terrestre eficiente até os portos chilenos de Antofagasta, Tocopilla, Mejillones e Iquique, o projeto reduz a dependência das rotas tradicionais via Atlântico e Canal do Panamá.
A expectativa é de ganhos expressivos para o agronegócio, a indústria e o comércio exterior, além de desenvolvimento regional em áreas historicamente isoladas. Em 2026, a concretização física desse sonho continental deve reposicionar a América do Sul como protagonista nas cadeias globais de valor. 
Obras da ponte avançam entre Brasil e Paraguai
As obras da Ponte Bioceânica, considerada um marco da engenharia sul-americana, seguem em ritmo acelerado. A estrutura cruza o Rio Paraguai — fronteira natural entre Brasil e Paraguai — e será a principal ligação terrestre entre os dois países dentro do Corredor Bioceânico de Capricórnio. Imagens registradas na última sexta-feira, dia 29, mostram o avanço significativo da construção, que em breve receberá milhares de veículos diariamente.
O Paraguai tem liderado investimentos estratégicos com apoio da Itaipu Binacional. Já foi concluída a pavimentação de 280 quilômetros entre Carmelo Peralta e Loma Plata, e está em andamento o asfaltamento entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina. Com isso, o país passa a ter acesso direto ao Brasil, Argentina e Chile, consolidando uma rota de escoamento ao Pacífico. 
No lado brasileiro, as obras compreendem 13,1 quilômetros de acessos ligando a BR-267 à cabeceira da ponte, com investimento de R$ 474 milhões via Novo PAC. A execução é do Consórcio PDC Fronteira, formado pelas empresas Caiapó Construções, DP Barros e Paulitec Construções, incluindo ainda a construção de prédios de controle integrados. Já no Paraguai, os acessos de 4 quilômetros recebem investimento de US$ 14 milhões, enquanto a ponte é construída pelo Consórcio PYBRA, sob coordenação do engenheiro civil Renê Gomez.
O Governo Federal deu um passo estratégico para tornar a Rota Bioceânica mais competitiva ao aderir oficialmente à Convenção TIR, sistema internacional que simplifica o transporte de cargas entre países. A medida, ratificada no fim de 2025, é considerada essencial para o pleno funcionamento do corredor, pois reduz burocracias alfandegárias, garante segurança jurídica aos transportadores e coloca o Brasil em igualdade de condições com Argentina e Chile. Para Mato Grosso do Sul, a adesão elimina um dos principais gargalos não físicos da rota.
Na prática, o sistema TIR funciona como um “passaporte de cargas”, permitindo inspeções concentradas na origem e no destino, com travessias de fronteira mais rápidas e menores custos logísticos. A expectativa é de redução de até 15 dias no acesso ao mercado asiático.
Com a combinação de obras físicas — como a ponte binacional e os centros aduaneiros — e a integração dos sistemas de fiscalização entre os países, o Corredor Bioceânico de Capricórnio se consolida como um novo eixo logístico de referência entre a América do Sul e a Ásia.
Com informações da Semadesc e Toninho Ruiz
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