Consultorias estimam safra de soja pouco acima de 150 milhões de toneladas; Safras reduz em 4,3% previsão de colheita de soja do Brasil; a consultoria destacou que não há mais espaço para uma nova safra recorde nesta temporada
A produção brasileira de soja 2023/24 deverá totalizar 151,36 milhões de toneladas, estimou nesta sexta-feira a consultoria Safras & Mercado, reduzindo em 4,3% sua projeção na comparação com o número divulgado em 8 de dezembro, considerando novas perdas pelo tempo seco. Se o volume atual for confirmado, a Safras indica retração de 4,1% sobre a safra da temporada anterior, que atingiu recorde de 157,83 milhões de toneladas.
A queda na produção acontece mesmo com um aumento de 1,5% na área plantada na comparação anual, estimada em recorde de 45,36 milhões de hectares. O levantamento aponta que a produtividade média deverá passar de 3.550 quilos por hectare para 3.354 quilos.
Já a consultoria AgResource Brasil atualizou suas projeções para a produção de soja e milho na safra de 2023/24. Inicialmente, esperava-se uma colheita superior a 160 milhões de toneladas. No entanto, a nova estimativa aponta para uma safra significativamente menor, com uma produção total de aproximadamente 150,72 milhões de toneladas.
Para chegar aos atuais números, a AgResource Brasil realizou em novembro e dezembro de 2023 um tour de safra pelos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo e Minas Gerais. Ao fim de janeiro, a consultoria anuncia que fará nova excursão para avaliar as colheitas de soja e o plantio da safrinha.
“O clima irregular trouxe a necessidade de novas reduções nos potenciais de produtividade de importantes Estados produtores, com destaque para o Mato Grosso. Foram feitos ajustes negativos na área e na produtividade média esperada para as lavouras no maior Estado produtor do país”, disse a Safras em comunicado.
Já a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sinalizou, em dezembro, que o país deve produzir 160,18 milhões de toneladas. Diante deste cenário, a estimativa de produção da soja tem o clima como um fator que pode influenciar neste resultado, principalmente quando ocorrem os estágios de floração e enchimento dos grãos, afirmou a instituição no seu ultimo relatório.
Os técnicos da Companhia continuarão acompanhando o desenvolvimento das lavouras a fim de verificar os impactos das condições climáticas no desempenho final. A entidade deve realizar novos cortes no próximo dia 10, quando lança o relatório de janeiro.

Clima prejudica e safra recorde é descartada
Além do Mato Grosso, houve redução das produtividades médias esperadas em Estados como Goiás, Tocantins e Bahia.
“O clima pouco úmido, com chuvas irregulares e temperaturas elevadas, trouxe e traz problemas importantes para as lavouras do centro-norte brasileiro. Áreas foram abandonadas e replantios foram necessários, com mudanças nos calendários de semeadura em vários Estados”, disse o analista Luiz Fernando Gutierrez Roque.
Ele ponderou que, se os meses de janeiro, fevereiro e março forem de um clima mais regular, ainda será possível ver recuperação de boa parte das lavouras, o que pode garantir produtividades ainda satisfatórias, embora inferiores às da safra passada.
Nos demais Estados, o desenvolvimento das lavouras é favorável, disse a Safras, ressaltando que “ainda é importante um clima favorável nas próximas semanas/meses para haver certa compensação das perdas dos estados do Centro-Norte em nível nacional”.
Contudo, a consultoria destacou que não há mais espaço para uma nova safra recorde nesta temporada.
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