Seguro Agrícola ganha o campo brasileiro; veja sua importância

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colheita de soja brasileira na lavoura
Imagem Ilustrativa / Foto: Lucas Pavezi

O Seguro Agrícola está em evidência no Brasil, nos últimos 5 anos, apesar de sua complexidade e do pouco tempo de maturação entre os produtores.

Por Ana Carolina Monteiro & Luciano Lemos* – O Seguro Agrícola é antigo no Brasil. Em 1988, foi incluído na Constituição Federal como planejamento e execução da Política Agrícola e hoje está a cargo do MAPA. Durante anos foi pouco utilizado, seja por falta de incentivo do governo, pelo seu alto custo ou pela falta de conscientização do produtor quanto à importância da proteção contra riscos e intempéries inerentes ao setor. No entanto, o produto está em evidência no Brasil, nos últimos 5 anos, apesar de sua complexidade e do pouco tempo de maturação entre os produtores. Nosso trabalho é o de aumentar sua eficiência e presença no mercado e promover mais ganhos para os produtores rurais.

Com este intuito, este artigo chama a atenção para alguns fatores interessantes a respeito do Seguro Agrícola em nosso país. Particularmente, nas safras da região Sul e incluindo o sul do estado de Mato Grosso do Sul, onde as lavouras de milho e soja sofreram com alterações climáticas, seja pelo excesso de chuva ou da falta dela, os prejuízos já somam mais de R$ 50 bilhões de reais.

Tal realidade nos remete a um movimento percebido recentemente na indústria nacional do seguro, particularmente, no ramo do Seguro Agrícola. Nas duas últimas safras, e tendo como base o estado de Mato Grosso do Sul, a contratação desta modalidade de seguro cresceu em torno de 50%, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Enquanto os valores pagos de sinistros subiram 180%, no mesmo período.

Para ilustrar, em 2021, até o mês de novembro, foram emitidos R$ 488.378.553,00 em prêmios de Seguros Agrícolas, em contrapartida o montante de R$ 501.968.441,00 referia-se aos sinistros, ou seja, as Seguradoras pagaram mais sinistros do que arrecadaram em prêmios. Em Mato Grosso do Sul, na última janela de contração de seguros, cerca de 30% das lavouras do estado foram seguradas.

E o que significa isso?

Que o mecanismo do Seguro Agrícola está funcionando, mesmo não conforme o desejável. Situação que demanda reflexão e mudança de atitude. O primeiro fato que podemos considerar é o apetite das Seguradoras em aceitar os riscos das produções agrícolas, pois num momento de aumento de sinistro é natural que limitem o valor máximo de prêmios aceitáveis para garantir a saúde financeira das empresas. O segundo é o processo operacional que as Seguradoras precisam fazer para regular os sinistros, isto inclui não só o pagamento dos valores a serem indenizados, como também as perícias feitas nas lavouras. Com o aumento da abertura de sinistros, as Seguradoras precisam atender toda esta demanda dentro do prazo necessário para que o sinistro seja regulado, conforme a regra do produto. E o terceiro é a percepção do produtor que está na ponta do processo e sofre não só pela perda da produção, mas com o tempo da regulação do sinistro. Exceto os produtores que querem contratar o Seguro Agrícola e não conseguem pelo fato do encerramento dos valores disponibilizados pelas Seguradoras.

A grande questão é que todos estes fatores mencionados não se desenvolvem na mesma velocidade, o que provoca o surgimento dos mais diversos problemas.

Isto não nos tira a responsabilidade de trabalhar para que o Seguro Agrícola tenha eficiência mercadológica e seja notado como um produto forte e que funcione entre os produtores rurais. O aumento de Seguradoras credenciadas para atuar com este tipo de seguro e o aumento de corretores que comercializam este produto movimentam o mercado e acirram a concorrência no setor, consequentemente teremos melhoras nos processos de regulação e diminuição dos valores dos prêmios.

Mato Grosso do Sul é um estado movido pelo Agronegócio e o Seguro Agrícola é essencial para a proteção contra os riscos a que o produtor rural está exposto sejam de caráter climático, de doenças ou de preços. Todos refletem as instabilidades socioeconômicas, sanitárias e ambientais pelas quais estamos passando.

Ana Carolina Monteiro é Jornalista, Mestre em Comunicação. Luciano Lemos é Corretor de Seguros e Especialista em Estratégias de Negócio

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