Entidades cobram ações estruturais e emergenciais para enfrentar crise de preços, alta de custos e concorrência com leite em pó importado.
O setor leiteiro de Santa Catarina deu mais um passo na mobilização por políticas públicas específicas ao entregar um manifesto com seis objetivos estratégicos ao governo estadual. A iniciativa, reúne demandas consideradas urgentes por produtores, cooperativas e representantes da indústria láctea diante do cenário de margens apertadas e forte pressão de mercado.
O documento foi apresentado ao governador do estado de Santa Catarina e reforça a necessidade de medidas que fortaleçam a competitividade da cadeia produtiva. Entre os principais pontos estão a defesa do produtor catarinense frente às importações, políticas de incentivo à industrialização local, maior fiscalização sobre práticas de mercado e apoio à sustentabilidade econômica das propriedades.
Pressão contra leite em pó importado
Um dos eixos centrais do debate envolve o uso de leite em pó importado na produção de leite fluido. A pauta ganhou força recentemente com a aprovação, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, de um projeto que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido no estado.
A medida, defendida por representantes do setor, busca proteger os produtores locais da concorrência considerada desleal, especialmente em períodos de excesso de oferta internacional e câmbio favorável às importações. Para lideranças da cadeia leiteira, a entrada de produtos estrangeiros pressiona os preços pagos ao produtor e compromete a sustentabilidade da atividade.
Entidades pedem medidas emergenciais
Além do manifesto, organizações representativas têm intensificado o diálogo com o poder público. A FAESC, o Conseleite e o Sindileite estão entre as entidades que defendem ações emergenciais, como maior controle das importações, auditorias sobre a origem do leite e mecanismos de equilíbrio de mercado.
O argumento central é que, apesar da relevância econômica da cadeia — responsável por movimentar bilhões de reais e gerar milhares de empregos diretos e indiretos — muitos produtores enfrentam dificuldades para cobrir os custos de produção, que incluem alimentação animal, energia, combustíveis e insumos agrícolas.
Seis metas para fortalecer a cadeia
O manifesto entregue ao governo estadual propõe metas estruturadas que envolvem:
- fortalecimento da política de defesa comercial;
- estímulo à agregação de valor e à industrialização;
- ampliação de programas de apoio ao produtor;
- incentivos à inovação e à eficiência produtiva;
- transparência na formação de preços;
- articulação entre estado e governo federal para proteção do mercado interno.
Representantes do setor afirmam que o objetivo não é apenas resolver a crise conjuntural, mas estabelecer bases sólidas para o crescimento sustentável da bovinocultura de leite em Santa Catarina. A expectativa é que o diálogo com o governo avance nas próximas semanas, com a construção de medidas práticas que atendam às demandas apresentadas no manifesto.
Enquanto isso, produtores seguem atentos às decisões políticas e ao comportamento do mercado, em um momento considerado decisivo para o futuro da atividade no estado.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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