Setor orizícola solicita apoio do Governo de SC para evitar colapso da cadeia produtiva de arroz

Documento entregue pela Câmara Setorial do Arroz, em conjunto com o SindArroz-SC, apresenta panorama da crise e propostas de enfrentamento.

A cadeia produtiva do arroz enfrenta uma das maiores crises das últimas décadas. Com custos de produção elevados, preços abaixo do mínimo viável e estoques represados, produtores e indústrias de arroz alertam para um cenário de colapso iminente no setor. Em busca de soluções concretas, o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), em conjunto com a Câmara Setorial do Arroz de Santa Catarina e lideranças da cadeia produtiva, reuniu-se com o governador Jorginho Mello nesta quarta-feira, 14, e o entregou um ofício com pedidos de ações emergenciais de suporte.

O documento, assinado por representantes de cooperativas, associações e federações ligadas ao arroz, detalha as dificuldades enfrentadas desde 2024, com agravamento na safra atual (2025/2026). Entre as solicitações, estão a ampliação de Crédito Presumido do ICMS incidente sobre o arroz, criação de linhas de crédito subsidiadas para rizicultores endividados, maior inserção do arroz catarinense nas compras públicas estaduais, fomento à pesquisa e inovação por meio da FAPESC, inclusão da aquisição de sementes de arroz no Programa Terra Boa e ações para frear a entrada de arroz importado do Mercosul.

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A média de preço ao produtor hoje é de R$ 50,00 por saca, enquanto o custo de produção ultrapassa R$ 75,00, gerando prejuízos imediatos e ameaçando a sustentabilidade econômica das lavouras e das indústrias. O impacto também se estende ao emprego rural, à renda nas regiões produtoras e à capacidade de inovação tecnológica do setor.

Para o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, a reunião já teve encaminhamentos definidos. “O governador encaminhou o ofício para o secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, e alguns pontos já tiveram sinalização positiva, como o apoio à pesquisa e o financiamento de sementes. Além disso, o secretário se comprometeu a reunir as entidades para um diálogo mais aprofundado, com o objetivo de construirmos soluções conjuntas. Acreditamos que esse encontro trará avanços concretos dentro do que está ao alcance do Estado, e seguimos confiantes na sensibilidade do governo diante da gravidade do momento”, afirma.

Fotos: Fernando Silveira

Apoio junto ao Governo Federal

Além das solicitações ao Governo do Estado, o documento entregue ao governador Jorginho Mello destaca a necessidade de articulação direta com o Governo Federal para enfrentar os desdobramentos da crise. As entidades solicitam que o Estado atue como interlocutor junto à União para viabilizar medidas estruturantes e de curto prazo voltadas ao escoamento da produção e à sustentabilidade financeira dos produtores.

Entre os pleitos federais, está a criação de mecanismos para ampliação das exportações de arroz, a fim de reduzir o excedente no mercado interno, além da retomada do subsídio à securitização agrícola como alternativa para renegociação de dívidas contraídas pelos produtores com juros elevados. Também é reivindicado o reajuste do preço mínimo do arroz, instrumento essencial para garantir uma base mínima de remuneração ao produtor, especialmente em cenários de forte desvalorização do grão.

As entidades reforçam que a ausência de resposta do Governo Federal até o momento acentua a insegurança econômica e social dos rizicultores e de toda a cadeia produtiva, especialmente às vésperas do início da colheita. O SindArroz-SC e os demais signatários reiteram a urgência de articulação política para assegurar medidas concretas de suporte ao setor.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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