Setor sucroenergético atualiza modelo de precificação da cana-de-açúcar; entenda

Acordo entre UNICA e ORPLANA reformula bases do Consecana-SP, amplia participação dos produtores e promete mais transparência na formação de preços, ou seja, precificação da cana-de-açúcar

O setor sucroenergético brasileiro dá um passo relevante rumo à modernização e ao equilíbrio nas relações entre indústria e campo. Em um movimento considerado estratégico, entidades que representam os dois principais elos da cadeia produtiva firmaram um acordo que atualiza o modelo de precificação da cana-de-açúcar — um dos pilares econômicos do agro nacional.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) que reformula as bases do Consecana-SP, órgão responsável por estabelecer o preço de referência da cana com base na qualidade da matéria-prima e no valor final dos produtos derivados, como açúcar e etanol.

Mudança busca mais previsibilidade e transparência no setor

A atualização do modelo ocorre em um momento em que o setor demanda maior previsibilidade nas relações comerciais, especialmente diante da volatilidade de preços e das transformações no mercado global de energia e alimentos.

Entre os principais pilares do acordo estão:

  • Revisão técnica e econômica conduzida pelo FGV Agro, trazendo maior robustez metodológica ao modelo
  • Reformulação da governança do Consecana-SP, com fortalecimento institucional e equilíbrio nas decisões
  • Ampliação da participação dos produtores, garantindo mais voz na definição dos critérios de remuneração

Na prática, isso significa um avanço na forma como o valor da cana será calculado, tornando o sistema mais transparente, técnico e alinhado à realidade econômica do setor.

Setor demonstra maturidade e união estratégica

A assinatura do acordo também é vista como um marco institucional. Segundo lideranças do setor, o movimento reflete a capacidade de articulação entre produtores e indústria, historicamente marcada por divergências.

O entendimento reforça que os diferentes elos da cadeia conseguem construir soluções conjuntas, algo essencial para manter a competitividade do Brasil no cenário global de açúcar e bioenergia.

Além disso, a iniciativa sinaliza que o setor está preparado para enfrentar desafios estruturais, como:

  • Pressões por sustentabilidade e rastreabilidade
  • Oscilações no mercado internacional de commodities
  • Crescente demanda por biocombustíveis

Novo modelo fortalece posição do produtor na precificação da cana-de-açúcar

Um dos pontos mais relevantes do acordo é o reforço da participação dos produtores dentro do sistema. A ORPLANA destacou que os novos critérios técnico-econômicos devem consolidar um modelo onde o produtor não apenas participa, mas tem papel ativo na governança e nas decisões estratégicas.

Esse avanço tende a corrigir distorções históricas e trazer mais equilíbrio na divisão de valor ao longo da cadeia, reduzindo conflitos e aumentando a confiança entre as partes.

Novo ciclo para a relação entre campo e indústria

A avaliação geral do setor é que o acordo abre caminho para um novo momento. A base técnica mais sólida e a governança aprimorada criam um ambiente mais estável e confiável, essencial para investimentos e expansão da atividade.

A assinatura oficial do memorando está prevista para o dia 16 de abril, em Ribeirão Preto (SP), reunindo lideranças do setor sucroenergético e consolidando um passo importante para o futuro da cana-de-açúcar no Brasil.

Em um cenário de transformação energética global, o Brasil reforça sua posição estratégica ao modernizar um dos principais mecanismos que sustentam sua competitividade no agro.

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