A avaliação foi feita nesta quarta-feira (11) pelo presidente do Conselho de Administração da Coopavel, Dilvo Grolli, em coletiva de imprensa no parque de exposições, em Cascavel.
Cascavel (PR), 12 – O Show Rural Coopavel 2026 deve encerrar a semana com público recorde e volume de negócios semelhante ao registrado em 2025, apesar da pressão sobre os preços de grãos e carnes. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (11) pelo presidente do Conselho de Administração da Coopavel, Dilvo Grolli, em coletiva de imprensa no parque de exposições, em Cascavel.
Segundo ele, a projeção inicial de 360 mil a 400 mil visitantes já foi superada pelo ritmo dos três primeiros dias. “A expectativa era de 360 a 400 mil pessoas nos cinco dias. Nesse ritmo, vamos passar de 420 mil tranquilamente”, afirmou. O recorde atual é de 407 mil visitantes, registrado na edição de 2025. O domingo, quando o evento abre para famílias e escolas, contabilizou mais de 40 mil pessoas.
Em relação aos negócios, o volume já alcança cerca de metade da projeção total, com a maior parte das transações concentrada entre terça e sexta-feira. “Os negócios serão iguais aos do ano passado, de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões”, declarou.
O desempenho, segundo Grolli, surpreende diante do ambiente mais restritivo. “Nós tínhamos algumas dúvidas, porque havia pressão de preço nos grãos e nas carnes. Mas o público superou todas as nossas expectativas”, disse Grolli. Para ele, o produtor reafirmou que tecnologia segue como prioridade, especialmente no Sul, onde não há expansão relevante de área agrícola. “O produtor nos deu mais um recado de que precisa de tecnologias. Não há novas fronteiras agrícolas. Temos que continuar crescendo em produtividade com o mesmo espaço que temos hoje.”
Grolli destacou o peso do agronegócio na economia. A safra 2025/26 é estimada em 353 milhões de toneladas de grãos, enquanto as exportações do setor superaram US$ 170 bilhões em 2025, com importações em torno de US$ 22 bilhões. “Quem está aguentando a balança comercial brasileira são as divisas do agronegócio”, afirmou.
O dirigente apontou três pontos de atenção para o setor em 2026: custo financeiro elevado, gargalos logísticos e incertezas tributárias. Sobre os juros, avaliou que a perspectiva de queda da Selic ao longo do ano deve abrir espaço para um Plano Safra 2026/27 com taxas entre um e dois pontos porcentuais menores que as atuais. “Esse plano safra foi o mais alto em questão de juros. A expectativa é que o próximo traga uma redução”, disse.
No cenário internacional, Grolli avaliou que o acordo entre Mercosul e União Europeia representa um avanço, mas as negociações devem caminhar de forma específica. “É um avanço, mas vai ter que ter negociação de interesse de país para país”, disse, citando resistências de membros do bloco europeu como a França.
Mesmo com os desafios, o presidente da Coopavel avaliou que o agronegócio segue em trajetória mais favorável que o restante da economia. “Do agronegócio, sim. A perspectiva é melhor do que a do restante da economia brasileira”, afirmou, comparando o crescimento estimado de 6% do setor com projeções de cerca de 2% para o Produto Interno Bruto nacional em 2026.
*O jornalista viaja a convite do Sicredi.