Entidade pede investigação após repercussão nacional de piloto voando em drone agrícola e alerta que uso inadequado de aeronaves não tripuladas coloca em risco a segurança e a credibilidade da aviação agrícola brasileira
A rápida transformação tecnológica do agronegócio brasileiro tem consolidado os drones agrícolas como ferramentas estratégicas para elevar produtividade, reduzir custos e ampliar a precisão nas operações. Porém, um episódio recente reacendeu o debate sobre os limites do uso dessas tecnologias no campo — e levou o próprio setor a agir. Nesta segunda-feira, 02, Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) denuncia à Anac vídeo de piloto voando em drone agrícola e reforçou: “não há espaço para irresponsáveis”
O Sindag divulgou uma Nota Oficial após a circulação de um vídeo em que um operador aparece utilizando um drone de pulverização para transportar a si mesmo dentro de uma lavoura. O caso teria ocorrido em Tucumã, no sul do Pará, e ganhou ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa.
Diante da gravidade potencial da situação, a entidade informou que apresentou denúncia formal à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para que o episódio seja apurado e, caso a irregularidade seja confirmada, as penalidades cabíveis sejam aplicadas.
Segundo o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, a iniciativa busca proteger a imagem de um setor que reúne profissionais altamente qualificados. “A aviação agrícola brasileira — que compreende aeronaves tripuladas e não tripuladas — tem milhares de profissionais que realizam um trabalho sério diariamente em todo o País”, destacou.
Uso indevido pode comprometer segurança e credibilidade do setor
O episódio ganhou ainda mais atenção por envolver um drone de grande porte. Equipamentos desse tipo são projetados exclusivamente para operações agrícolas e não possuem autorização para transporte humano, o que torna qualquer adaptação uma possível violação das normas aeronáuticas.
O caso lembra a recente viralização de um vídeo em que um piloto embarcou na estrutura de um drone agrícola antes da decolagem — situação que especialistas consideraram impressionante, mas também preocupante, justamente pelos riscos associados ao uso fora dos parâmetros técnicos.
Veja o vídeo que gerou repercussão:
Além disso, não havia informações confirmadas sobre o local exato do ocorrido nem sobre as condições de segurança do voo, fator que ampliou o debate entre profissionais do setor.
Para o Sindag, atitudes desse tipo não representam a realidade da aviação agrícola nacional, que opera sob rígidos critérios técnicos e regulatórios.
Setor altamente regulado exige qualificação e responsabilidade
Gabriel Colle reforçou que o segmento passa por exigências severas de formação e controle operacional. Segundo ele, a combinação entre qualificação profissional, regulamentação e tecnologia avançada permite aplicações mais precisas, no momento correto e com economia de insumos — ganhos que têm impacto direto na eficiência da produção rural.
A entidade também destacou o trabalho contínuo de transparência e diálogo com a sociedade, fundamental para reduzir resistências à adoção de novas tecnologias no campo.
“Não temos espaço para amadores ou irresponsáveis”, afirmou o diretor, sinalizando tolerância zero com práticas que possam comprometer a segurança ou a reputação da atividade.
Tecnologia avança — mas exige maturidade operacional
A expansão da agricultura digital colocou drones no centro das operações modernas. Projetados para aumentar a produtividade e reduzir custos, esses equipamentos se tornaram aliados estratégicos de produtores brasileiros.
No entanto, o episódio evidencia um desafio típico de setores em rápida evolução: garantir que o avanço tecnológico seja acompanhado pelo mesmo nível de responsabilidade operacional.
Especialistas costumam repetir que, na agricultura de alta tecnologia, quanto maior a sofisticação do equipamento, maior deve ser o rigor nos protocolos de segurança — especialmente quando se trata de aeronaves não tripuladas de alta potência.
Investigação de piloto voando em drone agrícola deve definir eventuais penalidades
Com a denúncia protocolada, caberá agora à Anac analisar o caso e verificar se houve descumprimento das normas aeronáuticas. Dependendo do resultado, o operador poderá sofrer sanções administrativas.
Mais do que um episódio isolado, o caso serve como alerta para todo o setor: a profissionalização da aviação agrícola é condição essencial para sustentar o crescimento da tecnologia no campo.
Em um cenário onde qualquer operação fora do padrão pode ganhar repercussão nacional em poucos minutos, entidades representativas buscam reforçar uma mensagem clara — inovar é fundamental, mas segurança e responsabilidade devem sempre voar mais alto que a ousadia.
O vídeo nas redes pode ser conferido no link:
🔗 https://www.instagram.com/hudsonvinicius976/reels
(onde, aliás, o autor comemora ter “viralizado”)
A íntegra da nota oficial do Sindag pode ser acessada aqui:

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